Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitânica)

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO NATURAL, Biologia, Fauna e AnfíbiosMuseu Virtual Tags: anfíbios, fauna, património natural e salamandra

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    Identificação

    A salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) possui um corpo delgado e uma longa cauda, que corresponde a cerca de 2/3 do seu comprimento total. Ao longo do dorso possui duas bandas de um belo dourado ou vermelho-cobre, que se prolongam sobre a cauda numa única banda da mesma cor, e que contrastam vivamente com o fundo negro. O ventre apresenta uma coloração cinzenta escura com pequenos pontos brancos. Tem uma cabeça pequena e achatada, com olhos grandes e proeminentes colocados em posição lateral. Os membros anteriores e posteriores, com quatro e cinco dedos respetivamente, são muito curtos e delgados. O comprimento total pode variar entre 120-150 mm, sendo que as fêmeas são geralmente maiores do que os machos. Os adultos podem pesar em média 2,0 g e uma fêmea com ovos pode atingir os 3,3 g.

    Fora da época de reprodução, é geralmente difícil diferenciar os sexos. Já durante este período, os machos apresentam calosidades nupciais nas patas anteriores e a região cloacal mais proeminente do que as fêmeas.

    As larvas de salamandra-lusitânica exibem um corpo alongado, cabeça achatada e brânquias pouco desenvolvidas. Apresentam um comprimento total entre 28 e 50 mm e pesos que variam entre 0,07 e 0,45 g. A cauda é achatada lateralmente e arredondada na extremidade, e apresenta uma crista relativamente baixa. As larvas nas primeiras fases do desenvolvimento são totalmente brancas mas à medida que vão crescendo apresentam uma coloração mais escura, chegando por vezes a ser totalmente negras.

     

    Distribuição

    Espécie endémica da Península Ibérica, com distribuição restrita à região norocidental. Em Portugal ocorre em todo o Noroeste, apresentando como limite sul o rio Tejo.

    A distribuição da espécie em Portugal corresponde a cerca de 50% da sua distribuição global (Teixeira et al. 2001, Vences 2002).

     

    População

    Calcula-se que o número total de indivíduos maduros se situe acima dos 10.000, uma vez que, nos locais onde ocorre, esta espécie é em geral abundante (Lima 1996, Teixeira et al. 1998).

    A espécie encontra-se severamente fragmentada em zonas densamente povoadas, que constituem uma parte substancial da sua área de distribuição, dado o elevado nível de poluição da maior parte dos cursos de água e de destruição dos seus habitats. No entanto, em zonas com pouca perturbação humana, caso por exemplo das Serras do Gerês, Montemuro, Caramulo, Arada e Lousã, ainda Chioglossa lusitanica Bocage, 1864 Salamandra-lusitânica ocorrem núcleos populacionais com bons efetivos.

     

    Habitat

    Ocorre principalmente em zonas montanhosas, junto a ribeiros de água corrente com vegetação abundante nas margens e atmosfera saturada de humidade. Este urodelo não possui pulmões funcionais, respirando sobretudo através da pele, o que contribui significativamente para as suas elevadas exigências ecológicas em termos de saturação de humidade do ar.

    De uma maneira geral, os biótopos circundantes são constituídos por bosques caducifólios ou lameiros, podendo também ocorrer noutros biótopos tais como campos agrícolas (Teixeira et al. 1998).

     

    Factores de Ameaça

    A perda, fragmentação e degradação do habitat por ação do Homem são consideradas as maiores ameaças para esta espécie, sobretudo devido:

    • à poluição dos cursos de água por efluentes industriais, domésticos e agrícolas;
    • à destruição dos habitats circundantes dos rios e ribeiros, em particular a vegetação ribeirinha;
    • à agricultura intensiva;
    • à substituição das florestas caducifólias por florestas de produção de espécies não indígenas e (v) à urbanização desordenada (Teixeira et al. 1998).

    Para além destes fatores, a salamandra-lusitânica apresenta uma capacidade de dispersão limitada (Arntzen 1981, Lima 1996), o que a torna particularmente sensível a quaisquer alterações dos seus habitats.

     

    Medidas de Conservação

    As medidas de conservação devem concentrar-se na manutenção dos seus habitats, particularmente os pequenos ribeiros de água limpa das regiões montanhosas. É também relevante conservar as áreas florestais autóctones, nomeadamente as florestas de caducifólias e os bosques ribeirinhos, bem como empreender ações eficazes para a prevenção dos incêndios florestais.Para além disto, deverá ser dada uma atenção especial à conservação das minas e galerias muito utilizadas como locais de reprodução desta espécie.

    No Sítio da Rede Natura 2000 Valongo foi desenvolvido um projeto de conservação direcionado para esta espécie, que consistiu na monitorização das populações, em ações de maneio do habitat, nomeadamente a eliminação dos eucaliptos da área circundante dos principais ribeiros, e na divulgação e sensibilização ambiental das populações locais.

     

    Bibliografia
    Websites Consultados

    http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/patrinatur/lvv/resource/doc/car-anf/chio-lus

    http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Salamandra-lusitanica?bl=1

     

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