Capela de Nossa Senhora dos Verdes

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e CapelasMuseu Virtual Tags: capela, património edificado e religião

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    A primeira capela de Nossa Senhora dos Verdes data do século XVIII, quando o culto à mesma se alicerçou devido a uma praga que atacou as culturas na vila. Já no século XX, foi demolida e uma nova foi construída no seu lugar.

    Existe na igreja de São Pedro o registo de, em 1724, o povo de Manteigas se ter dedicado à Senhora da Cerdaça (no termo de Folgosinho) em jeito de promessa, para que esta os protegesse das pragas e bichos (particularmente da lagarta). Porém, como a romagem até àquela capela era longa e difícil, a devoção do povo entrou em declínio e como tal houve a necessidade de transferir o voto de promessa para uma capela mais próxima da vila.

    Não existindo, na freguesia de São Pedro uma capela dedicada a Nossa Senhora, decidiu-se, em 1747, construir uma de raiz, no caminho entre a vila e o lugar das Caldas, no meio dos campos. A obra iniciou-se em 1756.

    As Memórias Paroquiais de 1758 referem “a capela da Senhora dos Verdes, que esta se fez há menos de dois anos, e a causa de se fazer esta capela foi que vendo-se os moradores desta vila aflitos com grande praga de bichos, a que vulgarmente chamam lagarta que  subia  pelos castanheiros e mais árvores e comia e destruía todas as novidades, sendo as castanhas o fruto que esta recolhe em mais abundância e por causa deste destroço recebia o povo muita perda, pegaram-se e ofereceram-se à Senhora dos Verdes e foi a senhora servida de levantar semelhante castigo, e então em Acão de graças, concorreram todos em que se lhe fizesse uma capela e se mandasse criar a mesma imagem da Senhora, o que se acha completo”. Desta forma, sempre ficou ligada à proteção contra as pragas que assolavam recorrentemente os campos.

    Em frente da capela existe um grande carvalho, que “apesar de ser planta de folha caduca, permanentemente nos mostra folha verde em abundância”. Dizem que enquanto se construía a capela, uma senhora deixou um ramo de flores para ser colocado sobre a primeira pedra lançada, e os pedreiros vendo que as mesmas tinham murchado também observaram que um ramo de carvalha se mantinha verde e viçoso. os mesmos decidiram plantá-lo próximo das obras, e para espanto de todos o pequeno ramo cresceu, e começou a desenvolver-se rapidamente, transformando-se na grande árvore que ainda hoje lá se encontra, e que foi classificada pelo Governo Português, em 1938, de “Interesse Público”.

    Tendo em conta as reduzidas dimensões da primitiva capela, na década de 50, começou a ponderar-se a ampliação da mesma pois os residentes naquela zona começaram a aumentar e capela já não conseguia albergar todos os fiéis que se aglomeravam na missa Dominical.

    Em 1959, a família de Francisco Esteves, após ter perdido a sua filha num acidente de viação, decidiu fazer uma dádiva para ampliação da capela, em sinal da sua devoção a Nossa Senhora dos Verdes. Analisando os custos, os responsáveis da paróquia e da diocese optam pela substituição integral da antiga ermida. Deste modo, em 1961, construiu-se uma capela de dimensões mais adequadas e ao gosto moderno. Como testemunho desta generosa doação, foi colocada uma placa no lado esquerdo da entrada onde se lê: “Esta Capela de Nossa Senhora dos Verdes foi reconstruída a expensas do Ex.mo Senhor Francisco Esteves Gaspar de Carvalho e sua esposa D. Teresa de Jesus Botelho Esteves de Carvalho, como preito de saudade a sua filha D. Maria de Fátima falecida em 7-3-1959. Foi benzida e autorizada a conservação do SS.mo em 30-4-1961 por D. Policarpo da Costa Vaz – Venerando Bispo da Guarda, o Pároco – P. António Tarrinha”.

    A partir desta data, a Festa Tradicional em honra de Nossa Senhora dos Verdes continuou a ser celebrada no 1º domingo de Outubro, no entanto, porém tendo em conta a primeira Festa que foi celebrada em 24 de Setembro de 1758, decidiu alterar-se a festa para o último domingo do mês de Setembro.

    A capela que hoje encontramos mostra um design moderno, diferente de todas as outras que encontramos na vila. A fachada apresenta um campanário lateral, apenas com um sino, que termina de forma triangular, e pelo arco ogival decorativo que se sobrepõe à porta principal e que enquadra 4 frestas, para além disso, o interior do arco foi preenchido por pequeninos azulejos de vários tons verde, destacando-se assim ainda mais o resto da fachada, elaborada em cantaria regular. As restantes fachadas são todas rebocadas e pintadas de branco. Na fachada Este (a fachada principal encontra-se voltada para Norte) encontra-se uma escadaria para o campanário e para acesso ao coro alto, e uma pequena sacristia que permite o acesso ao interior.

    O interior é amplo, com uma boa iluminação natural, devido às frestas que se abrem de forma regular nas fachadas laterais, e na pequena abside que serve de capela-mor. O branco predomina em toda a capela, sendo que 1/3 das paredes estão revestidas com os mesmos azulejos da fachada, de tons verdes. O altar é feito em mármore, em forma ogival, encontrando-se no topo o sacrário, revestido de dourado e com os símbolos de Cristo. Logo acima, encontra-se um grande crucifixo, todo trabalho em madeira escura. A imagem de Nossa Senhora dos Verdes foi colocada do lado direito do altar (para quem se encontra de frente para o mesmo). É uma imagem bem trabalhada, em madeira policromada, mostrando a Virgem em trajes ondulantes, sobre 4 cabeças de querubins.

    Relativamente, à imagem de Nossa Senhora dos Verdes, existe referência que foi benzida na mesma data que a capela, aquando da sua primeira festa a 29 de Setembro de 1758, sendo a cerimónia presidida pelo Reverendo Manuel Barbas de Morais.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 30-09-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

    Nossa Senhora dos Verdes de Manteigas, Padre José Baylão Pinheiro, 1942, Reedição 1998

    José Bailão Pinheiro, Pastor Exemplar, Evocação nos 50 anos do seu falecimento, Edição Comissãao Fabriqueira de S. Pedro, Manteigas, 2002

     

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