Capela de Santa Luzia

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e CapelasMuseu Virtual Tags: capelas, património edificado e religião

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  • Capela de Santa Luzia

     

    Situada no limiar da entrada da vila de Manteigas, esta pequena capela datará da primeira metade do século XVIII ou mesmo de data anterior, se atendermos a que a sua invocação inicial seria de Santo Estevão, uma vez que não há registo de uma capela de Santa Luzia nessa época. Tal suposição é levantada por existir uma imagem de Santo Estevão em pedra de Ançã, do século XVIII ou XIX, que costumava estar sobre o altar, hoje ocupado pela figura central de Santa Luzia.

    Desta forma, recuando no tempo, na Corografia Portuguesa de 1708, do padre António Carvalho da Costa, este refere a ermida de Santo Estevão “junto à Villa”, e também nas Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo padre Luís Cardoso, surge a referência a uma capela anexa a Santa Maria com a evocação de Santo Estevão, mas situa-a “fora da vila”.

    Podemos assumir, que se trata do mesmo templo, e que apenas a sua invocação terá mudado, pois a sua localização é coerente com aquelas descrições do século XVIII, pois este espaço, naquela data, estaria junto da vila mas fora da mesma (centro).

    De reduzida dimensão, a capela apresenta fachadas laterais em cantaria irregular com as juntas pintadas de branco, sendo a fachada principal rebocada e pintada a branco. Desta salientam-se as pilastras nos cantos e o portal coroado por um arco festonado, tudo em granito. A empena triangular, formada pelo telhado de duas águas, é coroada por uma cruz central e ladeado por dois ornamentos piramidais com bola superior, também em granito.

    No interior, destaca-se a mesa de altar totalmente em talha dourada, com motivos vegetais que formam volutas. O altar pintado maioritariamente em tom bege, revela a inspiração barroca nos detalhes da talha dourada que o compõem, sobretudo nas colunas, laterais ao nicho central, e na parte superior mais decorada. Destaque ainda para o teto de madeira, em abóbada de berço, pintado de azul, pouco usual em construções de tão reduzidas dimensões.

    Os dois santos que serviram, e servem, a invocação da capela, são Mártires da Igreja, dos primórdios do Cristianismo. Santo Estevão foi um dos sete primeiros diáconos da igreja que então nascia após a morte e ressurreição de Jesus, sendo fervoroso devoto e defensor dos seus ideais, acabou por ser apedrejado publicamente,  tornando-se assim no protomártir, o primeiro mártir da Igreja Católica. Falecido no século I d.C., o seu túmulo só foi encontrado no século V. A ele foram atribuídos inúmeros milagres das mais diversas índoles. O dia da sua celebração, é imediatamente a seguir ao Natal, no dia 26, estando por isso por vezes associado a cultos pagãos do solstício de inverno. Já Santa Luzia, mártir do século IV d.C., pertencia a uma família rica de Siracusa mas que cedo se converteu ao cristianismo e renegou aos bens terrenos, dedicando a sua virgindade a Cristo. Condenada por Diocleciano a diversos castigos, foi primeiramente levada para um prostíbulo mas ninguém lhe conseguiu tocar. Posteriormente foi queimada viva em azeites ferventes mas que não a afetaram, e os seus olhos foram arrancados e servidos numa bandeja. No entanto novos olhos lhe nasceram. Ao fim de tantas tentativas, foi finalmente condenada a morrer por decapitação. Pelo seu milagre dos olhos e também pelo seu nome derivar do latim Lux  (que significa luz), cedo fico associada à cura de todas as maleitas respeitantes à vista, e como patrona dos oftalmologistas. O seu dia é celebrado a 13 de dezembro, dia em que supostamente faleceu.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 04-09-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Guia do Apreciador de Pintura – “Histórias e personagens que inspiraram as obras-primas da pintura ocidental” – Marcus Lodwick, Editorial Estampa, 2003

     

    Fontes

    Corografia Portuguesa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

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