Capela de São Domingos

  • Capela-de-S.Domingos-01Capela-de-S.Domingos-01
  • Capela-de-S.Domingos-02Capela-de-S.Domingos-02

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e CapelasMuseu Virtual Tags: capela, património edificado e religioso

Info
Info
Fotografias
Mapa de Localização
Itens Relacionados
  • Capela de São Domingos

    A capela de São Domingos possui na fachada principal, acima do portal, a inscrição de três datas: construção, reedificação e restauro. Assim, e presumindo que as datas tenham sido inscritas corretamente, a capela terá sido construída em 1616. Foi posteriormente reedificada em 1845 e sofreu obras de restauro em 1950. Por conseguinte, a estrutura que hoje encontramos já não terá qualquer vestígio da construção primitiva, no entanto alguns traços do edifício mostram influências do século XVII, nomeadamente na simplicidade da moldura da porta, em granito, e do retábulo no interior.

    Situada num lugar sobranceiro à vila, em 1708, na Corografia Portuguesa, o padre António Carvalho da Costa refere “São Domingos junto às vinhas”. E nas Memórias Paroquiais de 1758, continua a ser referida como “fora da vila”. Daqui podemos inferir que aquele local no século XVIII tinha poucas ou nenhumas habitações, e que por ali existiam vinhas.

    A pequena capela apresenta traços sóbrios e retos, sendo que apenas a fachada principal apresenta pormenores em granito: na moldura da porta e das janelas laterais, nas pilastras cantoneiras (finas), e nos ornamentos colocados no topo da empena (cruz central e dois laterais, de forma piramidal). A capela assenta em rocha granítica, na qual foram escavadas escadas que dão acesso da estrada ao pequeníssimo pátio frontal, de forma irregular. A passagem do granito para a capela revela-se gradual, pois a base da fachada é ainda em pedra (mais ou menos 1/5) com dois degraus de acesso ao interior da capela.

    No interior destaca-se apenas o retábulo pintado de branco e com motivos, essencialmente vegetais, pintados de dourado. É um retábulo sem frontão, no qual se destaca a parte central, com o nicho de São Domingos ladeado por duas pilastras laterais que mais não são que relevos pintados a dourado. O topo apresenta um conjunto de volutas ao centro, e dois ornamentos vegetais de cada lado, tudo em dourado. De cada lado do nicho tem uma escultura, no lado direito, Nossa Senhora do Carmo e no esquerdo, Santa Ana. Lateralmente, o conjunto é ladeado por pilastras mais salientes, e com baixos-relevos no fuste, pintados também em dourado, tendo no cimo de cada uma  um ornamento floral dourado.

    Acima do retábulo, um óculo permite a entrada de  luz natural, pois não existem mais aberturas na capela, para além daquelas que se encontram na fachada principal. A colocação deste óculo na parede de fundo é estratégica, pois como se encontra virada para poente, o tipo de luz vai variando ao longo do dia, criando efeitos diferentes sobre o altar.

    A imagem de São Domingos aparenta ser antiga, talvez do século XVIII ou XIX, e apresenta todos os atributos do santo: o hábito preto e branco, o cão segurando uma tocha na boca, lírios e livro numa mão e o rosário na outra. Não é uma escultura realista com muitos pormenores, porém as vestes ondulantes estão bem trabalhadas. Existem inúmeras lendas sobre São Domingos, fundador da Ordem Dominicana, sendo a mais conhecida aquela em que sua mãe sonhou com o seu futuro filho com uma estrela vermelha na fronte, acompanhado de um cão que segurava uma tocha na boca. Esta associação do santo ao cão assenta também no trocadilho que relacionava o seu nome com a expressão latina Domini Canis, ou seja, “cão de guarda do Senhor”.

    Para além das três imagens no retábulo, existem mais três esculturas na capela, Nossa Senhora de Fátima do lado esquerdo do retábulo e o Sagrado Coração de Jesus, à direita. Em frente deste, encontra-se Santa Eufêmia.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 02-10-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Guia do Apreciador de Pintura – “Histórias e personagens que inspiraram as obras-primas da pintura ocidental” – Marcus Lodwick, Editorial Estampa, 2003

    Padre António Tarrinha, Pastor Atento e Dedicado, Evocação nos 100 anos do seu nascimento, Ediçã0 Económico da Paróquia de S. Pedro, Manteigas, 2012

    Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho da Costa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

     

  • No Records Found

    Sorry, no record were found. Please adjust your search criteria and try again.