Lontra (Lutra lutra)

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO NATURAL, Biologia, Fauna e CarnívorosMuseu Virtual Tags: fauna, lontra e património natural

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    Classe: Mammalia             Família: Mustelidae

    Ordem: Carnivora             Género: Lutra

    Identificação As lontras terão evoluído no sentido de uma adaptação aos sistemas aquáticos sendo atualmente caracterizadas pela sua morfologia adaptada a este tipo de sistemas. O seu corpo fusiforme e membros curtos aliado à sua cauda curta que afunila na ponta conferem-lhe um hidrodinamismo impar entre os carnívoros que habitam em Portugal. Com todas as patas providas de membranas interdigitais, a lontra está totalmente adaptada para nadar, podendo fazê-lo até 8 horas ininterruptamente. A espécie é ainda caracterizada pelo seu focinho largo, pequenas orelhas e uma pelagem de coloração castanha na maior parte do seu corpo que pode ser interrompida por uma mancha mais clara ou branca que se pode estender do queixo ao ventre. Com um comprimento (cabeça-corpo) que pode variar entre os 59 e 90 cm e uma cauda que pode alcançar os 47cm, a lontra é consideravelmente maior que os mustelídeos com que pode partilhar diretamente o seu habitat em Portugal, o visão-americano (Neovison vison) e o toirão (Mustela putorius). Apresenta uma altura ao garrote que pode ir até aos 30cm e o seu peso em adulto oscila usualmente entre os 6 e os 10kg. As lontras ibéricas são menores do que as encontradas no centro e norte da Europa.
    Distribuição A lontra em Portugal apresenta uma distribuição generalizada de Norte a Sul do país, estando ausente apenas pontualmente. No litoral Sudoeste, desde o cabo de Sines à Praia da Luz, a espécie apresenta a particularidade de utilizar o meio marinho e a faixa costeira envolvente.
    Habitat Vive em todo o tipo de ambientes aquáticos continentais (lagos, rios, ribeiras, canais, pauis, sapais e pequenas albufeiras) suficientemente bem conservados e no litoral atlântico, bem como em estuários e rias. A uma escala mais localizada, diferentes estudos referem como determinante na seleção de habitat o grau de coberto vegetal com condições de refúgio, a disponibilidade de presas, a perturbação humana e a altitude. Como sedentária, encontra-se desde o nível do mar até aos 1800 m de altitude, sendo a sua presença muito condicionada pela disponibilidade de alimento acima dos 2400 m. Ubíqua na escolha dos seus habitats de alimentação, é mais seletiva nas zonas de abrigo e descanso, atendendo a critérios de tranquilidade e coberto vegetal abundante. Vários estudos demonstram uma correlação positiva entre a abundância de vegetação ripícola e a frequência de vestígios de presença de lontra.
    Alimentação A sua dieta é essencialmente piscívora, embora no seu regime alimentar se incluam várias outras presas potenciais, pertencentes ao grupo dos anfíbios e invertebrados (principalmente crustáceos e insetos) e, em menor escala, pequenos mamíferos, aves aquáticas e répteis, variando em função dos locais e das épocas do ano. Em Portugal, os recursos alimentares parecem ter aumentado devido à introdução de peixes exóticos e do lagostim-da-Louisiana (Procambarus clarkii). No entanto, este último é uma presa pouco energética e apenas disponível entre a Primavera e o início do Outono.
    Reprodução Espécie solitária necessita de áreas vitais de grandes dimensões, especialmente os machos, cujos territórios podem englobar os de várias fêmeas, estendendo-se por 5-10 Km, dependendo do número de efetivos e da disponibilidade de alimento. Pode reproduzir-se durante todo o ano, em função da disponibilidade de recursos (mas com picos mais prováveis na Primavera e no Verão), nascendo ao fim de 61-63 dias uma a quatro crias em tocas dissimuladas entre a vegetação. A maior taxa de mortalidade ocorre durante o período de dispersão, aos dois três anos de vida.
    Estatuto de Conservação (LC) Pouco Preocupante
    Fatores de Ameaça – A destruição da vegetação ripícola – nomeadamente associada a ações de limpeza, extração de inertes e aumento das áreas agricultada.

     

    – A poluição da água, seja qual for a sua origem (industrial, urbana ou agropecuária), tem efeitos diretos (perda de isolamento térmico do pelo, alteração da fisiologia de reprodução) e indiretos (distrofia dos sistemas naturais, eutrofização, alteração da cadeia alimentar) sobre a lontra.

    – A intensificação da utilização de pesticidas e fertilizantes na agricultura é um importante fator de contaminação dos cursos de água e lençóis freáticos, principalmente quando pulverizados sobre culturas associadas aos meios aquáticos (como os arrozais).

     

    A regularização dos sistemas hídricos – nomeadamente através da transformação dos cursos de água em valas artificiais com a uniformização do substrato, no intuito de melhorar o escoamento hídrico – leva também à destruição total da mata ripícola e da vegetação aquática, modificando drasticamente o leito do rio e reduzindo a potencialidade do habitat, eliminando a alternância das zonas de remanso e de rápidos, essenciais para o refúgio, descanso, reprodução e alimentação. Esta uniformização cria dificuldades na atividade predatória da lontra, por falta de locais encaixados onde o animal possa encurralar as suas presas.

     

    – A mortalidade acidental por atropelamento ocorre mais frequentemente do que seria previsível numa espécie com hábitos semiaquáticos. O aumento da intensidade de tráfego e da densidade viária, próximo ou sobre sistemas aquáticos, aumenta a probabilidade de colisão da lontra com os veículos automóveis

     

    – A morte por afogamento em artes de pesca (redes de emalhar), principal fator de mortalidade em países como a Finlândia e a Dinamarca, foi registada em Portugal, na zona de Castro Marim.

     

    – A perseguição direta (furtivismo) por pescadores, proprietários de estabelecimentos aquícolas e “bicheiros” é uma realidade que ainda hoje se faz sentir por todo o país.

     

    – A sobre-exploração dos recursos hídricos, nomeadamente a captação de água para fins agrícolas, geralmente associada às temperaturas elevadas que se fazem sentir no Verão, reduz a quantidade de alimento disponível e agrava os efeitos da poluição química e orgânica, criando situações de elevada eutrofização do meio.

     

    – O impacto das barragens como potenciais barreiras à circulação da lontra – constituindo um fator de isolamento e fragmentação das populações. A sua construção implica a redução da vegetação ripícola ou mesmo a sua ausência total nas orlas das albufeiras, o que cria dificuldades na atividade predatória da lontra, por falta de locais encaixados onde o animal possa encurralar as suas presas.

     

    Bibliografia
    Websites Consultados

    http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/rn2000/resource/rn-plan-set/mamif/lutra-lutra

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