Coreto da Banda Boa União

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e CoretosMuseu Virtual Tags: coreto, coretos e património edificado

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    Os coretos surgem a partir de finais do século XIX e tornam-se comuns em inícios de século XX. São estruturas destinadas a concertos musicais ao ar livre, normalmente em ferro, com decorações de carácter revivalista.

    O coreto de Santa Maria foi construído em 1926 por esta mesma freguesia. Mas desde 14 de Julho de 1956 é propriedade da Banda Boa União. Apresenta uma forma octogonal, em que cada lado tem 2,20m, com um perímetro de 17,60 metros.

    O autor do projeto foi Bernardo Marcos Leitão, um sacristão artista que tinha anteriormente construído um coreto que se montava nas festividades e que podia ser dobrado e guardado quando não era necessário.

    A execução do projeto ficou a cargo de João Duarte Quaresma, mestre-de-obras que dirigiu a construção, à exceção da parte relativa à serralharia, que foi executada pelos dois irmãos Lopes, ferreiros de Manteigas.

    A base da construção é em pedra granítica, disposta em cantaria de forma regular. As pedras foram extraídas de um local designado “Porqueiras”, situado no “Chão de Celorico”, e foram trazidas para o local por  juntas de bois que a população cedeu para o transporte.

    A cobertura octogonal é de zinco galvanizado, tendo ao seu redor uma orla de enfeite rendilhada, de formas geométricas. Encontra-se pintada de prateado claro, porém as juntas e o friso decorativo foram pintados de verde.

    Possui uma grade de proteção em toda a volta, pintada no mesmo tom de verde dos motivos decorativos. Em cada vértice do octógono foi colocada uma coluna de ferro fundido, sendo este conjunto de colunas que sustenta a cobertura. Estas são provenientes da Covilhã, e anteriormente serviam de candeeiros a gás nas ruas públicas. Podem encontrar-se, ainda hoje, colunas idênticas no jardim de S. Francisco na referida cidade. As 8 colunas  vieram propositadamente para a freguesia de Santa Maria de Manteigas  com a finalidade de construir o coreto, por vontade do Padre Joaquim Dias Parente.

    Desde a sua construção em 1926 que o coreto mantem  a sua fisionomia, desempenhando um papel de grande relevo na vida musical de Manteigas, servindo de auditório permanente até ao presente, para os concertos da Banda Boa União.

    Como já foi referido, até 1956 foi propriedade da freguesia de Santa Maria. No entanto, nesta data, surgiu a hipótese de o coreto ser transferido para outro local. Perante tal ameaça, o pároco Joaquim Dias Parente, em declaração de 14 de Julho do mesmo ano, resolveu doar o coreto à sua atual proprietária: Banda Boa União, e pôr fim a qualquer intenção de retirar o coreto  do seu local primordial.

     

    Estado de conservação

    Bom à data de 28-10-2014

    Bibliografia

    “Padre Joaquim Dias Parente” – O Homem. A Obra. A Missão. A Mensagem. – Nos 50 anos da sua morte – 20-X-2007 – Manuel Ferreira da Silva, Paróquia de Santa Maria, Manteigas, 2007  (Manteigas, 19-02-1987 – Coordenação de Humberto Massano Leitão)

     

    Anexo – Artigo / Declaração

    O Coreto da Vila de Manteigas” – Artigo escrito por Palmira Marques

    «O Coreto da Vila de Manteigas»
    por Palmira Marques
    …E ali estávamos, horas infindas, de pé, encostados ao muro a olhar para a Banda a tocar! Reunia-se a vila em peso em volta do coreto, e aí encontrávamos velhos amigos que a festa trazia à terrinha para matar saudades e festejar com alegria e fé, o Santo das suas devoções.
    Nos dias de festa, é assim: a Banda instala-se no coreto, depois da procissão e toca até à noitinha.
    Houve em tempos, para as festas da freguesia, um coreto feito pelo sacristão-artista, senhor Bernardo Marcos Leitão, tão habilmente construído que se montava no início dos festejos e se dobrava e guardava, quando não era preciso!
    Em 1926, o Rev. Padre Joaquim Dias Parente, então pároco da freguesia de Santa Maria Maior, resolveu-se por um coreto definitivo. E foi assim, com a obra entregue ao Mestre de obras senhor João Duarte Quaresma – não consta que tenha havido concurso – e a planta feita pelo sacristão, sr. Bernardo, que se iniciou a sua construção no Largo do Senhor do Calvário, (antigo cemitério). A pedra (granito), foi extraída dum local designado “Porqueiras”, situado no “Chão de Celorico”. Pessoas que possuíam bois, deram jeiras para transportar a pedra.
    O ferro utilizado foi forjado na forja dos Lopes (ferreiros), em Manteigas. As barras mais grossas intercaladas no gradeamento, foram aproveitadas dos candeeiros de iluminação a gás da cidade da Covilhã, podendo ainda hoje, serem vistos na dita cidade, no Jardim de S. Francisco. Sob o soalho do coreto, existe uma loja de arrumos.
    Em 1956 houve necessidade de se afirmar publicamente a posse do coreto. Nesta vila, ninguém ousaria pôr em dúvida a legitimidade da pertença por parte da Banda Boa União, mas pessoas estranhas a esta terra, tentaram promover a sua transferência. Para que não restassem dúvidas, o Rev. Padre Joaquim Dias Parente, achou por bem confirmá-lo em declaração pública.

    DECLARAÇÃO

    «Eu abaixo assinado, Padre Joaquim Dias Parente, natural de Alpedrinha,
    concelho do Fundão, filho de Eduardo dos Santos Hipólito e Maria da Piedade e
    residente na freguesia de Santa Maria, do concelho de Manteigas, declaro por esta
    forma e para todos os efeitos legais, em nome pessoal, como Pároco da freguesia de
    Santa Maria supra dita e, ainda, como Presidente da Comissão Fabriqueira da respectiva
    Igreja – que o coreto que se encontra no Largo do Senhor do Calvário, nesta Vila de
    Manteigas, é propriedade, única e exclusiva, da Banda Boa União, associação recreativa
    com sede nesta Vila de Manteigas. E por ser verdade e para os devidos efeitos fiz
    escrever a presente declaração perante as testemunhas José Augusto dos Santos, viúvo,
    funcionário público, aposentado e António Prata, casado, funcionário público, ambos
    residentes nesta vila, a qual assino com as ditas testemunhas.
    Manteigas, 14 de Julho de 1956
    P.e Joaquim Dias Parente
    José Augusto dos Santos
    António Prata»

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