Fábrica António Martins Ramos & C.ª / Eduardo Rabaça, Lda.

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO INDUSTRIAL e FábricasMuseu Virtual Tags: fábricas, indústria, manteigas e património industrial

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  • Fábrica António Martins Ramos & C.ª / Eduardo Rabaça, Lda.

     

    No Inquérito Industrial de 1881, a firma encontrava-se em decadência, e por isso laborava apenas 6 meses por ano. Possuía diversa maquinaria, sendo que os equipamentos mecânicos eram movidos através de uma roda hidráulica mista e o quadro do pessoal era composto por um total de 9 trabalhadores. Apenas as operações da escolha, da urdissagem e das espinçadeiras eram realizadas em regime doméstico. Este documento localiza a fundação desta unidade no ano de 1854, porém no Inquérito Industrial de 1864, é referido o ano de 1845.

    Em 7 de Julho de 1931, um violento incêndio deflagrou nas instalações onde se encontravam as secções de tecelagem, armazém de lãs e fio e escritórios da firma, então já com a designação de “Eduardo Rabaça, Lda.

    Posteriormente, a fábrica terá sido adquirida por Zeferino d’Almeida Fraga que era já proprietário de uma outra fábrica, que ficava nas imediações desta. Desta forma, não se pode precisar que atividades se desenvolviam em cada uma das unidades.

     

    Observações

    Complexo Fabril, de 1845 – Lugar do Tinte, Santa Maria

    Atividades: Cardação, fiação, tecelagem, tinturaria e ultimação.

    Ocupação: António Martins Ramos & Cª (1845-?); António Craveiro Rabaça (1890); José Craveiro Rabaça (1900?-1920); Eduardo Rabaça, Lda. (1931); Zeferino d’Almeida Fraga (19_-1955); Zeferino d’Almeida Fraga, Sucr. (1955-1958); Fragas, Lda. (1958-1967).

    Uso: Desativado, adaptada a armazém.

     

    Estado de conservação 

    Razoável à data de 23-07-2014

    Observações
    Alguns edifícios em ruína

     Bibliografia

    “Rota de Lã Translana (Rota de la Lana), Portugal/Espanha”, volume II, Museu dos Laníficios, UBI, Covilhã, 2009

    Inquérito Industrial de 1881

    Anexo 1 – Descrição dos Edifícios

    Descrição dos 6 Edifícios:
    1º Construção tradicional de planta em L, com 2 pisos, paredes em alvenaria de granito rebocadas, com fenestração escassa disposta de modo irregular e caixilharia de guilhotina, em madeira. A cobertura é composta por 2 telhados de 4 águas, dispostos perpendicularmente, que assenta num travejamento de madeira e é revestida por telha do tipo marselha.
    2º Construção tradicional de 1 piso, com paredes de alvenaria de pedra argamassada nas juntas, com vãos dispostos regularmente, com caixilharia de 3 folhas, em madeira. Cobertura de 4 águas, suportada por asnas em pinho e revestida por telha do tipo marselha. No lado sul, desenvolve-se um acrescento de reduzidas dimensões. Pela sua exposição à luz natural, este edifício deveria alojar a secção de tecelagem, sendo hoje utilizado como espaço de armazenamento.
    3º Construção tradicional, de 1 e 2 pisos mais cave, com paredes em alvenaria de pedra, sendo observáveis indícios da utilização em algumas fachadas de reboco. Em avançado estado de ruina, ainda conserva vários sinais da cobertura de 2 águas (paredes de empena, elementos de telha de tipo canudo) e da caixilharia de guilhotina, em madeira que preenchiam a fenestração regular.
    4º Construção tradicional de 1 piso, delimitada a norte pelo edifício acima descrito e a sul pelo edifício descrito abaixo. Encontra-se em ruína, permanecendo intactas as paredes exteriores, em alvenaria, no cimo das quais ainda se observam indícios da telha mourisca que revestia a cobertura de duas águas.
    5º Construção tradicional de 1 piso, em nave, com paredes em alvenaria de pedra argamassada nas juntas, encimadas por uma cobertura de 2 águas, parcialmente em ruína, suportada por travejamento em madeira e revestida a telha de tipo marselha. Apenas a fachada sul é rasgada por vãos, de caixilharia de 2 folhas, em madeira.
    6º Construção tradicional de 1 piso, com paredes em alvenaria insossa, desprovidas de fenestração e com cobertura de 1 água, revestida por chapa zincada. Devido às pequenas dimensões do imóvel, assim como as aberturas reduzidas, e a uma cota muito baixa, visíveis em algumas fachadas, presume-se que tenha funcionado como pisão.

     

    Anexo 2 – Transcrição do Inquérito Industrial de 1881
    Transcrição do texto referente à fábrica António Martins Ramos & C.ª, na qual se manteve a ortografia original.
    «A fabrica dos srs. António Martins Ramos & C.ª, na Ponte dos Frades, é de cardagem, fiação e acabamento. Fundou-se em 1854. O seu capital é de 4:200$000 réis. A tecelagem é dada por empreitada a tecelões que trabalham em suas casas, na villa.
    As machinas, aparelhos e utensílios, são:
    Motor:
    1 roda hydraulica mixta (isto é, de ferro e madeira), com movimento de ferro, construído no Porto.
    Para cardagem:
    1 carduça, feita na Covilhã por um serralheiro.
    1 carda simples
    1 apparato
    Para fiação:
    1 fiação mechanica, 240 fusos, construção de Mercier, de Louviers
    Para apisoamento e ultimação:
    1 pisão de ferro, de construção francesa, muito antigo; não funciona a maior parte do tempo; é alugado de vez em quando.
    3 ramolas.
    1 percha.
    1 tesoura longitudinal.
    O numero de operários e os seus salários, por classes são:
    Mestre – 1 (maior de 16 anos) – 300 réis
    Cardadores – 1 (maior de 16 anos); 1 (menor de 16 anos) – 200 e 140 réis
    Fiadeiros – 1 (maior de 16 anos); 2 (menores de 16 anos) – 200 e 70 réis
    Pisoeiros – 1 (maior de 16 anos) – 200 réis
    Ultimadores – 2 (maiores de 16 anos) – 160 e 140 réis
    Tanto nesta como em muitas outras fábricas, o trabalho das escolhedeiras, urdideiras e espinçadeiras, constitui tarefa caseira da família do fabricante.
    Construção de Mercier, de Louviers.

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