Fábrica de Sarjas & Baetas / Isabel & Cleto (Engenho do Rei / Pisão)

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO INDUSTRIAL e FábricasMuseu Virtual Tags: fábricas, indústria e património industrial

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  • Fábrica de Sarjas & Baetas / Isabel & Cleto (Engenho do Rei / Pisão)

     

    Através do fomento industrial de D. Luís Menezes, 3º Conde da Ericeira, foi fundada uma manufatura em Manteigas, em 1680 por André Nunes, Jorge Fróis e Luís Romão de Sinel, sendo estes  contratadores da Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, localizada na Covilhã. Por esta altura, o consumo anual de lanifícios em Portugal estimava-se em 7000 peças (5000 de baetas e 2000 de sarjas) e a produção somada destes dois artigos, nas fábricas da Covilhã e de Melo (Gouveia), atingia somente as 3000 peças. Com a criação desta  nova unidade manufatureira tentava-se diminuir a dependência do reino, das importações inglesas.

    Em 1856, é criada a fiação “José Pereira de Matos & C.ª”, à qual sucedeu “Manuel Francisco Serra & C.ª” que, segundo o Inquérito Industrial de 1881, se localizava no Engenho do Rei. Esta unidade, cujo quadro de pessoal era composto por um mestre, um cardador, um fiandeiro e três aprendizes menores, possuía uma carduça, uma carda simples e um aparato, na secção de cardação, e uma fiação mecânica de 270 fusos e uma urdideira. Em 1890, o quadro de pessoal aumenta para 10 trabalhadores, dos quais 2 eram menores de 12 anos, mas a maquinaria mantem-se a mesma.

    Já no século XX, a firma, com a designação “Isabel & Bandinha”, tem como sócios: Lourenço Serra Bandinha, Eduardo Lucas Coelho Isabel e Nataniel Prata Cleto. Sendo dissolvida a sociedade, em 1939, todo o ativo e passivo ficou propriedade do primeiro, continuando a laborar neste local, na condição de arrendatário do segundo, até cessar a exploração da indústria em nome individual, com a criação da empresa “Lourenço Serra Bandinha & C.ª, Lda.”.

    Do edifício principal do complexo subsistem apenas vestígios no embasamento utilizado para suporte de 2 edifícios de múltiplos andares, destinados a habitação, que hoje se encontram no seu lugar. Possivelmente, as edificações contíguas, que se encontram a poente, corresponderiam igualmente a imóveis do primitivo complexo.

     

    Observações

    Complexo Fabril, de 1680 (?) – Rua das Carreiras, São Pedro

    Atividade: Cardação, fiação, tecelagem e ultimação

    Ocupações: Fábrica de Sarjas & Baetas (administração por contrato) (1680-1703?); José Pereira de Matos & C.ª (1856-187_); Manuel Francisco Serra & C.ª (séc. XIX-XX); Isabel & Cleto (1925?-1937?); Isabel & Bandinha (1937-1939); Lourenço Serra Bandinha (1939-1950)

     

    Estado de conservação

    Mau à data de 11-08-2014

    Observações
    Evidências arqueológicas nos edifícios habitacionais que hoje ocupam o local.

     

    Anexo – Transcrição do Inquérito Industrial de 1881
    Transcrição do texto referente à Fábrica de Sarjas & Baetas, na qual se manteve a ortografia original.
    «A fabrica dos srs. Manuel Francisco Serra & C.ª, no Engenho do Rei, é de cardagem e fiação. Foi fundada em 1856 por José Pereira de Mattos C.ª
    Por ocasião da nossa visita, achavam-se ausentes os proprietários e o mestre da fabrica. O operário que nos permitiu a entrada no estabelecimento, mostrou-se tão hesitante e tímido nas resposta, que resolvemos não insistir na obtenção de pormenores.
    As machinas, apparelhos e utensilios, são:
    Motor: 1 roda hydraulica de madeira; movimento de ferro.
    Para cardagem: 1 carduça, 1 carda simples, 1 apparato – construcção belga.
    Para fiação: 1 fiação mechanica, 270 fusos – construcção belga. Tem tambem 1 urdideira.

    Os operários são: 1 mestre, 1 cardador, 1 fiadeiro, 3 menores.»

     

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