Fábrica Joaquim Lucas Saraiva (Fábrica da Boqueira) / SOTAVE

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO INDUSTRIAL e FábricasMuseu Virtual Tags: fábricas, indústria e património industrial

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    Em 1937, a empresa “Joaquim Lucas Saraiva” explorava a “Fábrica da Boqueira”, onde laborava com o alvará n.º 11 880, com um quadro de pessoal composto por 37 trabalhadores, distribuídos pelas diversas secções desta unidade de produção vertical. Possuía as secções de lavandaria de lãs, com um lavadouro manual; de cardação e fiação de lã cardada, com máquinas acessórias para a cardação, nomeadamente 1 batedor, 1 escolhedeira,  de marca Celestin Martin; de cardação, com um sortido de 2 cardas, de marca Vª Mercier e 1 aparato Duesberg Bosson; de fiação e torcedura, com duas fiações (const. MacedoLeeds); de tecelagem, com 15 teares manuais, 2 urdideiras manuais e 1 enroladeira manual; de tinturaria, com 2 barcas e 1 hidro; de ultimação, com 1 lavadeira, 1 batano, 1 hidro, de marca C.ia de Fives, Lille, 1891, 1 percha, 1 tesoura de marca Société Anonyme Verviertoise, 1 prensa de cartões e 3 râmolas manuais. Possuía ainda, como força motriz, 1 motor a gás pobre, de marca Deutz e 1 roda hidráulica.

    Em 1946, a firma com a designação de “António Martins Botelho, Sucrs.” é dissolvida. Desta forma o ativo e o passivo da firma viria a ser dividido entre os antigos sócios José de Matos Cosme Pereira e Francisco Esteves Gaspar de Carvalho. A “Fábrica da Boqueira”, no lugar dos Amieiros Verdes, fica em propriedade do segundo, onde começa a laborar em sociedade de nome individual, no entanto o alvará nº 11 880 mantem-se. Nesta altura, o quadro de pessoal era constituído por 50 trabalhadores, dos quais 1 era empregado fabril e os restantes eram operários, e mantinha as secções de lavandaria de lãs, com um lavadouro manual e 1 barca de carbonização; de cardação e fiação, com 1 batedor, 1 escolhedeira, de marca Celestin Martin; de cardação, com 1 sortido de 2 cardas, de marca Vª Mercier e 1 aparato Duesberg Bosson; de fiação e torcedura, com 2 fiações manuais, sendo 1 de 300 fusos e outra de 360 fusos (const. MacedoLeeds); de tinturaria, com 5 barcas manuais nacionais; de ultimação, com 1 lavadeira, 1 batano, 1 hidro nacional e 1 outro de 1891, 1 percha, 1 tesoura de marca J. D. Hougets, 1 prensa de cartões e 3 râmolas manuais. Existiam ainda outros equipamentos na unidade, tais como: 1 noveladeira, 1 máquina de desfazer meadas, 2 juntadeiras de fios, 8 sarilhos de fazer meadas e 1 grudadouro. Como força motriz, dispunha de um motor a gás pobre, 1 roda hidráulica, 1 gerador e 1 dínamo. Tinha ainda 1 gerador de vapor vertical e oficinas de fundição, serralharia e carpintaria.

    Em 1960, cria-se a empresa “SOTAVE – Sociedade Têxtil dos Amieiros Verdes”, que  resulta da fusão das firmas “Fábrica de Lanifícios dos Amieiros Verdes” de Francisco Esteves Gaspar Carvalho e “Lourenço Serra Bandinha & C.ª, Lda.”. Lourenço Serra Bandinha detinha 350 ações, Luiz dos Santos Veiga 325 ações e José de Bastos Rabaça 325 ações.

    Já no século XXI, a “SOTAVE – Sociedade Têxtil dos Amieiros Verdes, S.A.” viria a ser declarada insolvente, por sentença proferida em 29 de Setembro de 2007 pelo 1º juízo do Tribunal Judicial da Guarda.

     

    Observações

    Complexo Industrial, do século XIX-XX – Lugar dos Amieiros Verdes, S. Pedro

    Atividades: Cardação, fiação, tecelagem, tinturaria e ultimação

    Ocupações: Joaquim Lucas Saraiva (19_-1937); Francisco Esteves Gaspar de Carvalho (19_-1938); António Martins Botelho, Sucrs. (19_-1946); Fábrica de Lanifícios dos Amieiros Verdes de Francisco Esteves Gaspar de Carvalho (1946-1960); Sociedade Têxtil dos Amieiros Verdes, S.A.R.L. (1960-19_); SOTAVE – Sociedade Têxtil dos Amieiros Verdes, S. A. (19_-2007)

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 13-08-2014

     

    Anexo – Descrição dos Edifícios 

    Descrição dos 12 Edifícios:
    1º Construção mista de 1 piso, com paredes rebocadas em alvenaria de pedra e blocos de cimento, marcadas pela disposição regular de amplos vãos, de caixilharia fixa em ferro e pavimento em betonilha. A cobertura é composta por 2 telhados, a fracção sul apresenta 2 águas revestidas a fibrocimento, o restante do edifício dispõe-se em shed também revestido a fibrocimento e com apontamentos de luzalite. A maior parte do espaço interior deste edifício destinava-se à secção de cardação desta unidade, encontrando-se na zona sul os maquinismos da secção de teares.
    2º Construção moderna de 2 pisos, paredes de alvenaria de tijolo rebocadas, com cobertura de 2 águas, revestida a fibrocimento. As fachadas possuem fenestração regular, de vãos duplos, com caixilharia fixa, em cimento.
    3º Construção moderna de 1 piso, em nave, contígua ao alçado sul do 2º edifício, a partir do qual se desenvolve longitudinalmente. As fachadas, compostas por parietais rebocados, apresentam vãos amplos, distribuídos regularmente com caixilharia fixa, em ferro e apontamentos basculantes. A cobertura de 2 águas, revestida por fibrocimento, é suportada por um sistema de asnas em ferro.
    4º Construção mista de 2 corpos, dispostos em L, com 3 e 4 pisos e pavimentos em betonilha. As paredes são de alvenaria de pedra e blocos de cimento, rebocadas, apresentando uma fenestração regular. Na cobertura existem 3 revestimentos distintos: o corpo orientado no sentido este-oeste é encimado por uma laje de cimento e por um telhado e 2 águas em fibrocimento; o corpo perpendicular, com orientação norte-sul, apresenta cobertura em shed, também revestido por fibrocimento. Além da área de produção, este edifício alojava diversos espaços no piso superior, dedicados ao quotidiano social da unidade fabril: refeitório, bar, vestiários e instalações sanitárias.
    5º Construção mista de 3 pisos, com paredes em alvenaria de granito e pavimentos em betonilha. Apenas a fachada nascente apresenta fenestração, disposta de modo regular, com caixilharia fixa, em cimento com apontamentos basculantes, em ferro. A cobertura de 2 águas é revestida por fibrocimento. A secção de fiação de malhas dividia o espaço com o armazém.
    6º Construção tradicional de 1 piso, com pavimento e betão, paredes em alvenaria de granito argamassada nas juntas, caracterizadas pela fenestração disposta de forma regular, de caixilharia basculante, em madeira. A cobertura em shed, revestida por fibrocimento, numa das suas vertentes exibe apontamentos em vidro, para iluminação interior enquanto outra apresenta pequenas chaminés. Na fachada poente do edifício, ocupado pela secção de fiação, é possível observar uma placa comemorativa, em mármore, descerrada em 28 de Abril de 1985, que homenageia os industriais fundadores da SOTAVE. À esquerda desta, surgem outras 11 placas de igual material, mas de maiores dimensões, em tributo “Aos que ao longo de 25 anos de trabalho, ajudaram a construir esta empresa”.
    7º Construção mista de 3 pisos, mais águas furtadas, com pavimentos em betonilha, paredes em alvenaria de pedra, rebocada ao nível do piso superior. A fenestração disposta de modo regular, nas diferentes fachadas, apresenta caixilharia em ferro, no piso superior e fixa, em cimento, no piso térreo. O edifício, onde se encontrava a laborar a secção de confecção de malhas. Com cobertura de 2 águas, revestida por chapa zincada. Dois acrescentos de 3 pisos desenvolvem-se a partir da fachada sul. A construção que ocupa a fracção poente deste alçado apresenta cobertura de 2 águas, enquanto a outra, de menores dimensões é coberta apenas por uma água, ambas revestidas por fibrocimento.
    8º Construção moderna de 1 piso, com paredes rebocadas, pavimento em betonilha, fenestração regular, com caixilharia e ferro. A cobertura permite ver as várias ampliações que o imóvel foi sofrendo. Apenas uma pequena parte apresenta 2 águas, revestidas por fibrocimento, sendo a restante área encimada por uma placa de betão armado. Um posto de transformação eléctrica ergue-se no terraço proporcionado pela cobertura e as vertentes do telhado possuem pequenas chaminés para exaustão de vapores originados pela secção de tinturaria, que ocupava o imóvel.
    9º Construção moderna de 1 piso, com paredes rebocadas, fenestração regular, composta de amplos vãos de caixilharia fixa, em ferro, pavimento em betonilha e cobertura de 2 águas, revestidas por fibrocimento. Este espaço tinha dupla função: alojava as oficinas da fábrica e era, também, utilizado como armazém.
    10º Construção mista de 2 pisos, com pavimentos em betonilha, paredes em alvenaria de pedra argamassada nas juntas, com amplos vãos dispostos de modo regular, de caixilharia fixa, em cimento. A cobertura assenta num sistema de asnas em ferro, é revestida por fibrocimento. A fachada nascente, ao nível do piso térreo, encontra-se oculta por um acrescento, de construção moderna, encimado por uma cobertura de 1 água, revestida por chapa zincada. O edifício era ocupado pela secção de tricotagem da unidade fabril.
    11º Construção mista de 1 piso, com paredes rebocadas, fenestração regular, caixilharia em ferro, pavimento em betonilha e cobertura de 2 águas em fibrocimento. Juntamento com o edifício 8, eram os que se encontravam mais próximos do curso de água, por essa razão estavam destinados a secções com maior exigência de recursos hídricos, aquele para ultimação e este para tinturaria.
    12º Construção moderna de 1 piso, assente sobe uma sapata em alvenaria de pedra. As paredes são rebocadas e exibem uma fenestração irregular, com caixilharia fixa em ferro, intercalados por portas do mesmo material. Com cobertura de 2 águas, revestida por fibrocimento, com apontamentos em luzalite. Era utilizado como armazém.
    Existem ainda outros edifícios que completavam a unidade fabril: nas duas entradas do complexo, junto ao rio Zêzere e á via rodoviária superior, encontram-se duas construções destinadas à habitação dos guardas, para controlo dos acessos; a poente do conjunto, no lado contrário da via, encontra-se uma área comercial, destinada ao público em geral; no sentido sudoeste, existe um bairro operário que inclui 14 habitações. Vários postos de transformação eléctrica (distribuídos pelo complexo) e um reservatório de água, localizado a sul, incluíam-se nas infra-estruturas da fábrica

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