Fábrica Joaquim Pereira de Mattos e Cunha / Mattos Cunha, Lda.

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO INDUSTRIAL e FábricasMuseu Virtual Tags: fábricas, indústria e património industrial

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  • Fábrica Joaquim Pereira de Mattos e Cunha / Mattos Cunha, Lda.

     

    Na segunda metade do século XIX, Joaquim Pereira de Mattos adquiriu um moinho nas margens do rio Zêzere, a jusante de Manteigas e próximo da capela de S. Gabriel, que transformou posteriormente numa unidade de produção de lanifícios.

    Em 1863, o mesmo empresário casa com D. Maria do Carmo Lemos e Cunha, e a firma que até então funcionava em nome individual, adotou a designação de “Joaquim Pereira de Mattos e Cunha”. Fundada em 1874, a empresa desenvolve-se rapidamente, e no Inquérito Industrial de 1881 apresenta já um quadro de pessoal composto por 60 trabalhadores. Tratando-se de uma unidade de produção vertical possuía maquinaria correspondente a todas as secções. À data do Inquérito produzia uma média de 21 500 metros de tecidos vários, como saragoças (13000m), mesclados (1000m), baetas (6500m) e surrobecos (1000m).

    Em 1899, os quadros superiores desta firma  contavam com alguns técnicos qualificados, tais como Louis Bailly e Pedro Palet, José Alavedra e Manuel Pereira Nina, que se estabeleceram na Covilhã, e Luís Cravino, em Manteigas.

    Na década de 90 do século XIX, projetou-se a transferência desta fábrica para Portalegre. No entanto, no seguimento da extinção do concelho de Manteigas, em 1896, o empresário Joaquim Pereira de Matos comprometeu-se a manter e a ampliar a fábrica que aqui possuía, visando a restauração do extinto concelho, situação que se verificou por Decreto de 13 de Janeiro de 1898.

    No final do século XIX e início de século XX, realizou-se então uma intervenção no complexo, que veio a prover a firma de instalações e equipamentos modernos, destacando-se um edifício amplo, cuja iluminação provinha de uma cobertura sem hed. Em 1895, adquiriu uma turbina hidráulica de 20 cv., com eixo vertical, instalada em 1896. Em 1900, adquiriu na Exposição Universal de Paris, uma máquina a vapor de 120 cv, para a produção de força motriz, de marca Joseph Farcot, instalada em 1901, assim como um gerador de vapor semi-tubular, identificado com a inscrição: “Gos. Mathot & Bailly. Constructeurs Chéneé – Liége / Générateur semi tubulaire inexplosible brevete, SGDC nº629 – 1899”.

    A inauguração do complexo renovado realizou-se a 10 de Agosto de 1906, contando com a participação do Príncipe Real D. Luís Filipe e do Infante D. Manuel (futuro D. Manuel II). A presença destas personalidades neste evento atesta a importância desta unidade no panorama industrial português, assim como a influência que o empresário fundador tinha na elite social portuguesa.

    Após a morte de Joaquim Pereira de Matos, em 1909, os seus 10 filhos criaram uma nova sociedade, que designaram de “Matos Cunha, Lda.”. Posteriormente, a fábrica veio a adquirir uma segunda caldeira a vapor, de marca Babcock & Wilcox Lda, London & Glasgow, datada de 1911.

    Em 1924, adquiriu-se e instalou-se uma nova turbina de 150 cv, com regulador automático, de marca Escherwisse & Cia.

    Em 1925, a Matos Cunha, Lda. requer licença, junto da 2ª Circunscrição Industrial, para a laboração de uma fábrica de lanifícios, sendo o edital desta secretaria datado de 2 de Junho do mesmo ano. Na sequência deste processo, a firma passa a laborar com alvará de 2ª classe nº 8 797, a partir de 8 de Julho do mês seguinte.

    Em 1936, procedeu-se à instalação de um novo gerador a vapor, de 10 cv, da marca J. Neumanor la Chapelle.

    Em 1972, a empresa ainda se encontrava a laborar em pleno, altura em que adquiriu novos equipamentos. O quadro de pessoal era composto, nessa altura, por 141 trabalhadores, entre os quais 10 técnicos. Funcionavam as secções de lavagem de lãs, de tinturaria, de acabamentos, de tecelagem (com 30 teares mecânicos e 5 manuais) e de fiação (com 1.664 fusos). A fábrica ainda iria adquirir mais um gerador a diesel, da marca Bauscher U.CO K.G. Hamburg Miltenberg – Main.

    A partir de 1986, algumas áreas do complexo fabril foram arrendadas às firmas “SOFIZEL – Sociedade de Fios do Zêzere, Lda.” e “Inês & Barbosa”. De referir que a última firma manteve em funcionamento o espaço e o equipamento do lavadouro, que durante largos anos foi um dos quatro instalados no país, permanecendo ativo até 2004.

    Este complexo industrial distingue-se da maior parte das unidades fabris, pois para além do espaço de produção, das habitações dos industriais e dos operários, possuía um vasto conjunto de infraestruturas e serviços (área de exploração agropecuária, escola, capela, distribuição de correio), tornando-o assim numa unidade económica e social autónoma, seguindo o exemplo das colónias têxteis catalãs, nomeadamente a “Colónia Vidal”, fundada em 1892 nas margens do rio Llobregat. Tal facto demonstra a importância que esta firma adquiriu, em grande parte devido à visão futurista do seu criador, Joaquim Pereira de Matos.

    Observações

    Complexo Fabril, do século XIX-XX – Lugar de São Gabriel, Santa Maria

    Ainda se encontram no local diversos maquinismos, entre os quais se destacam o lavadouro de lãs, a turbina hidráulica e as duas máquinas a vapor.

    Atividades que laboraram no complexo: Lavagem, cardação, fiação, tecelagem, tinturaria e ultimação.

    Ocupações Industriais: Joaquim Pereira de Mattos (1874-1879); Joaquim Pereira de Mattos Cunha (1879-1910); Matos Cunha, Lda. (1910-200_); SOFIZEL – Sociedade de Fios do Zêzere, Lda. (1986-2000); Inês & Barbosa (1986-2004)

     

    Estado de conservação 

    Mau à data de 22-07-2014

    Observações
    Não obstante, alguns edifícios ainda apresentarem uma conservação razoável, a maioria dos edifícios do complexo fabril mostram um avançado estado de degradação.

     
     Bibliografia

    Rota de Lã Translana (Rota de la Lana), Portugal/Espanha”, volume II, Museu dos Laníficios, UBI, Covilhã, 2009

    Documentação de S. Gabriel no Arquivo da Guarda

    Inquérito Industrial de 1881

     

     

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