Glaciação da Serra da Estrela

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO NATURAL e GeologiaMuseu Virtual Tags: glaciação, glaciares e serra da estrela

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    A glaciação na Serra da Estrela ocorreu no último grande período glaciário. O seu pico aconteceu no período glaciar máximo entre 25 000 a 19 000 mil anos atrás. Neste período a serra teria neves perpétuas acima dos 1650 metros de altitude. Devido à compressão da neve houve formação de gelo que deslizou pelas encostas e formou os glaciares. A cúpula de gelo no planalto da Torre ocupava uma superfície de cerca de 70 km2  de extensão e 80 metros de espessura. A temperatura estaria em média 10 graus abaixo dos níveis atuais.

    Ao todo na Serra da Estrela formaram-se sete glaciares que irradiaram do maciço central. O glaciar com maior tamanho seria o do Zêzere devido às suas três geleiras de alimentação e à maior acumulação de neve a este da torre em parte devido aos fortes ventos que se fariam sentir de oeste, que empurravam  a neve para a zona de alimentação do Glaciar do Zêzere. Estes fatores criaram um glaciar com cerca de 13 quilómetros de comprimento e uma língua glaciária com cerca 300 metros de espessura. Estendia-se desde o Cântaro Magro a cerca de 1900 metros de altitude até a jusante de Manteigas atingindo um mínimo em altitude a rondar dos 680 metro. Devido à menor insulação do lado norte o glaciar do Zêzere teria uma menor fusão durante o período quente comparativamente com os outros glaciares virados a Sul.

    Regista-se a perfeita forma em “U” do Glaciar do Zêzere  devido à sua grande extensão existem vários  depósitos de sedimentos que foram transportados ao longo de todo o traçado do vale. Existem vários depósitos de acumulação de sedimentos de origem glaciária como as moreias ou tills, os mais típicos são os tills sub-glaciários que se depositaram no contacto entre o Glaciar e o substrato rochoso. Estes depósitos muito compactos, compostos de areia e calhaus, situando-se um destes  nas caldas de Manteigas a cerca de 1100 metros de altitude o que significa que a língua glaciária neste local, atingiu os 300 metros de espessura.

    As moreias são aglomerados de blocos ou calhaus geralmente redondos. Podem ter  várias centenas ou milhares de metros de comprimento principalmente nas encostas, designando-se por moreias laterais. Outro tipo são as moreias supraglaciarias que  acontecem quando blocos transportados na superfície do glaciar que funciona como um tapete rolante foram depositados no fundo,  quando aconteceu a fusão do gelo. Estas moreias são de difícil identificação devido aos avanços e recuos do glaciar. Por vezes apenas restam blocos de grandes dimensões, que recebem a designação de blocos erráticos.

    Para além das moreias encontram-se outras formas de acumulação que apesar de não serem depósitos feitos pelo glaciar, têm uma estreita relação com eles. Podem ocorrer os terraços de obturação glaciária, caso identificado a oeste de Manteigas junto à capela de São Sebastião e os terraços proglaciários que são depósitos de moreias transportados por torrentes de grande força resultantes da fusão do glaciar.

    Sendo o glaciar um bloco de gelo com uma velocidade média de 20/30 metros por dia os glaciares causaram uma erosão bastante acentuada nos vales e na cúpula de gelo formando o planalto glaciário. Este é constituído por rocha nua com bossas rochosas e depressões ocupadas por lagos, charcos ou prados húmidos.

    Em algumas áreas da Serra da Estrela podemos encontrar depósitos periglaciáricos, que são criados devido às temperaturas negativas durante todo o ano causando o efeito de Permafrost ou quando locais com uma interação entre congelamento e descongelamento no próprio dia ou durante vários períodos durante o ano. Este efeito cria alterações nas rochas devido à água acumulada nas fendas, causando um efeito de crioclastia ou gelificação. Com o congelamento/descongelamento da água esta sofre alterações no seu volume o que causa a fragmentação dos aglomerados rochosos principalmente em locais de  altitude. Os locais onde podemos observar este fenómeno são as cascalheiras angulares no “Soito concelho”, na “Varzea do Crasto” e na encosta de  “São Gabriel” onde encontramos grandes depósitos que escorreram pelas vertentes das encostas.

     

     

    Bibliografia

    Guia Geológico e Geomorfológico do Parque Natural da Serra da Estrela.

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