Igreja da Misericórdia

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e IgrejasMuseu Virtual Tags: igreja, misericórdia, património edificado e religião

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    No centro da vila de Manteigas existia uma ermida, devotada a São João Baptista, onde nasceu a primeira paróquia (Santa Maria), daí poder-se dizer que esta pequena igreja é a verdadeira e primitiva matriz do arciprestado de Manteigas.

    Em 1260, estima-se que Manteigas tivesse cerca de 300 habitantes, e existe referência a “uma igreja servindo toda a vila”. Seria ainda a única freguesia, tendo como orago S. João Baptista, e culto a Santa Isabel (sua mãe), com a já referida confraria dos “Tosadores”, e que, ao jeito das confrarias, ainda medievais, era de cariz corporativo (ou seja, só faziam parte “oficiais do mesmo ofício”).

    Podemos então concluir que esta igreja é uma das mais antigas de Manteigas (pode ter chegado a sede de paróquia), uma hipótese plausível devido à sua localização na zona antiga da vila, de onde irradiou o crescimento e desenvolvimento da mesma.

    Quando foi criada a Santa Casa da Misericórdia em Manteigas, em 1618,a pequena ermida, que existia na mesma zona e que era designada de São João Baptista, passou a servir de igreja. Apesar de na fachada ter sido pintada a data de 1618, a construção da atual igreja deverá ter ocorrido na segunda metade do século XVII (1685-1688), pois existe no interior do templo uma têmpera com um texto em português arcaico onde se lê que foi celebrada missa em 1688, que diz ““Capela da missa quotidiana para sempre, instituída nesta casa pelo reverendo Alberto Leitão, natural da vila de Manteigas… 1688 anos…”

    Também na sua obra, “História da Igreja em Portugal”, Fortunato de Almeida diz que pode ter sido construída entre 1685 e 1688, corroborando as datas avançadas anteriormente.

    Os primeiros Livros de Atas e Registos da Misericórdia têm data de 1646 e nele se incluem as despesas e contas, incluindo o pagamento ao artista que executou o retábulo do altar-mor da Igreja, os quadros de S. Luís de Tolosa e S. Pedro Mártir (5.000 réis), o púlpito (8.350 réis), e o oratório para o Cristo (crucifixo que pende da parede topo).

    Nas Memórias Paroquiais de 1758, é referido que a vila “tem Misericórdia a qual administram o Provedor e Irmãos desta, terá de renda duzentos e cinquenta mil reis, tem duas capelas, uma de Missa quotidiana e outra das quartas-feiras, e tem muitas mais missas que pessoas particulares deixam para se lhes dizerem todos os anos in perpetuum, a qual é costume todos os anos em quinta-feira santa, o Provedor da mesma lavar os pés a doze pessoas em memória do que Cristo Senhor nosso deus por nosso exemplo, a primeira paga largamente dos reditos da mesma, e também com largura se dá a todos os padres que a ela correm a celebrar o Santíssimo Sacramento, missa, tudo, o que para este é preciso, tendo também hospitaleiro que assiste na mesma.”

    A fachada é simples, de empena triangular, com uma porta e varandim sobrepostos à porta principal. Lateralmente, existem duas entradas, ambas com escadaria.

    No interior a atenção prende-se com a capela-mor, que se encontra alteada em relação à nave. O altar principal é o maior e, tal como os outros, é de talha marcadamente barroca (completamente dourados). A imagem de Nossa Senhora da Misericórdia está colocada em nicho central. Lateralmente existem dois retábulos simétricos, estando no retábulo do lado esquerdo São Luís de Tolosa, e no lado direito São Pedro Mártir. As colunas do altar-mor são salomónicas e decoradas com cachos de uva, folhagem e carrancas. Na nave principal, a meio da parede do lado esquerdo, existe um púlpito barroco, em madeira, e ainda uma pia batismal em granito constituída por uma peça única.

    Em 1983 sofreu obras de ampliação e recuperação, assim como restauro das talhas douradas e do púlpito. Daí que as datas pintadas acima da porta principal sejam 1618-1983, data da criação da Misericórdia em Manteigas e a data do restauro e ampliação da igreja.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 21-07-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    A Santa Casa da Misericórdia na Vila de Manteigas de 1646 a 1929, volume I – 1646-1700, José David Lucas Batista, Edição Santa Casa da Misericórdia de Manteigas, 2002

    Entre Zêzere e Tejo – Propriedade e Povoamento (séculos XII – XIV), Maria da Graça Antunes Silvestre Vicente; volume II, Tese de Doutoramento em História Medieval, Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2013

    “Padre Joaquim Dias Parente” – O Homem. A Obra. A Missão. A Mensagem. – Nos 50 anos da sua morte – 20-X-2007 – Manuel Ferreira da Silva, Paróquia de Santa Maria, Manteigas, 2007

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Guia do Apreciador de Pintura – “Histórias e personagens que inspiraram as obras-primas da pintura ocidental” – Marcus Lodwick, Editorial Estampa, 2003

     

    Fontes

    Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho da Costa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

     

    Websites Consultados

    http://www.cm-manteigas.pt/turismo/patrimonio1/Paginas/mapa.aspx

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