Igreja de São João Batista (Sameiro)

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e IgrejasMuseu Virtual Tags: igreja, património edificado e religião

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  • Igreja de São João Batista

     

    No século XII, o donatário de Sameiro, D. Moninho Rodrigues, doou a aldeia à Ordem de São João Baptista de Malta, sendo plausível que a primordial igreja ou capela tivesse então sido construída sob o orago deste santo. Não existindo, porém, registos da mesma, e já que as primeiras referências a esta igreja surgem mais tardiamente, teremos de aceitar que a criação da paróquia será mais tardia que o século XII. A aldeia de Sameiro desde aí pertenceu sempre à “Sagrada Religião de São João Baptista do Hospital de Jerusalém de Malta” gozando dos “mesmos privilégios concedidos pelos Sumos Pontífices e confirmados pelos senhores Reis de Portugal à dita Religião”, conforme é referido na resposta ao Questionário de 1758 (Memórias Paroquiais), dada pelo cura Luís de Abrantes de Almeida.

    Sendo as Memórias Paroquiais de 1758 um dos documentos mais credíveis, aqui encontramos a descrição de Sameiro em meados do século XVIII. É descrito que o “Orago desta paróquia é São João Baptista, tem só um altar e é de São João Baptista, não tem sacrário, nem Irmandade ou Confraria alguma, não tem naves, e só tem seis linhas atravessadas de madeira”. Refere também que a ermida de Santa Eufêmia, “que há sessenta anos a esta parte servia de igreja matriz por não haver outra nesta terra, e se ter demolido uma antiga de São João Baptista”. Podemos então concluir que a primitiva Igreja de São João Baptista foi destruída em finais do século XVII, pois esta e o local já não eram respeitados “sem amor a Deus nem reverência do lugar”, mas durante a primeira metade do século XVIII uma nova foi reconstruída. No  mesmo questionário é referido que durante o terramoto de 1755 “só caiu uma bola de pedra da pirâmide da parte esquerda do campanário da igreja e já está em seu lugar”.

    Uma foto de início de século XX mostra uma igreja muito diferente da atual. Vemos nessa imagem uma igreja de dimensões inferiores, que tinha campanário em pedra do lado esquerdo com 2 sinos, encimado por uma cruz e dois ornamentos piramidais com bola, tal como é descrito no questionário de 1758. O portal na fachada principal era em arco de volta perfeita, ao qual estava sobreposta uma janela simples, retangular com caixilharia em madeira, de guilhotina. Logo ao lado da janela, foi colocado um relógio redondo. A empena triangular não é acentuada e é encimada por uma cruz em pedra. A fotografia deixa ainda perceber uma  porta lateral e uma outra janela.

    A Igreja que hoje encontramos foi então construída em meados do século passado, sendo visível que se tentou construir um edifício com características do século XVIII ou XIX, ou pelo menos de acordo com as igrejas que se viam na sede de concelho (Santa Maria e São Pedro).

    A fachada principal apresenta um frontão quebrado, sendo ao centro triangular com uma cruz no topo. Do lado direito ergue-se a torre sineira, bastante robusta com uma pequena cúpula bulbosa, com uma cruz no topo, sendo rodeada por uma balaustrada, tudo em pedra. O portal, em arco ogival, parece pequeno perante a dimensão do resto da fachada. Logo acima da porta foi colocada uma placa com o ano da construção da igreja: 1949. Destaca-se mais acima um óculo, com vitral em rosácea, e um brasão com a cruz de Malta na empena. Todos os pormenores são em granito: nas molduras de portas e janelas, e pilastras cantoneiras. O corpo do edifício caracteriza-se pelo escalonamento sucessivo, em que a capela-mor é mais pequena que a nave principal.

    O interior apresenta uma nave única e uma capela-mor separadas por um arco de volta perfeita em granito. O retábulo principal que ocupa toda a parede posterior da capela-mor, mostra uma divisão horizontal em que a decoração vai aumentando à medida  que se sobe de patamar: no inferior encontram-se duas portas laterais e ao centro o sacrário; ao centro encontra-se o nicho principal, ladeado por dois mais pequenos emoldurados por colunas salomónicas, e no topo o frontão formado por diversas volutas. De cada lado do arco, foram colocados dois altares, semelhantes na estrutura: na parte inferior têm mesa de altar, ao centro um nicho ladeado por colunas, e na parte superior um frontão completamente decorado com motivos vegetais e volutas. Todos os retábulos são pintados em tons pastel (com acesso por uma pequena escadaria), com um sobrecéu, semelhante aos retábulos laterais.

    A cobertura de toda a igreja é feita em abóbada de berço, de madeira e pintada de azul claro. A luz natural entra por quatro janelões na nave (dois de cada lado) e mais dois na capela-mor, junto do retábulo. Possui coro alto, sobre a porta principal suportado por dois pilares que formam três arcos de volta perfeita, criando um espaço mais obscuro.

    Por todas estas características é notória a tentativa, de em pleno século XX, se construir um edifício que se assemelhasse aos templos que resultavam de construções ou reconstruções dos séculos anteriores (XVIII e XIX).

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 06-10-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho da Costa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

     

    Websites Consultados

    http://www.cm-manteigas.pt/turismo/patrimonio1/Paginas/mapa.aspx

     

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