Igreja de São Pedro

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e IgrejasMuseu Virtual Tags: igreja, património edificado, religião e são pedro

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    No primeiro quartel do século XIV, a vila de Manteigas tinha já população suficiente para se organizar administrativamente e judicialmente em duas freguesias, em torno de duas paróquias. Por conseguinte, a Igreja de São Pedro, segunda paróquia da vila, deverá ter sido criada na mesma altura da de Santa Maria, podendo eventualmente ser anterior. No século XV, as terras que partiam do “Largo do Chafariz” eram já conhecidas como “Terras de São Pedro”.

    Na Chancelaria de D. João I (1385-1410), aparece referência ao prior de São Pedro de Manteigas, no seguimento de certos sacerdotes que, partilhando do quotidiano das populações, surgem a legitimar os filhos que nasciam em situação irregular. Assim aconteceu com os filhos de Lourenço Domingues, prior da igreja de São Pedro à data, e de Margarida Peres, mulher solteira.

    O documento mais antigo do Arquivo Municipal de Manteigas, que faz referência à paróquia de São Pedro, data de 1 de Julho de 1499. Neste questionava-se o Padroado desta Igreja e de Santa Maria, pois exigia-se o pagamento de certas despesas aos moradores e estes alegavam que já eram Padroado Real.

    Na obra de Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, a Igreja de São Pedro também surge no seu “Catálogo de Todas as Igrejas, Comendas e Mosteiros que havia nos Reinos de Portugal e Algarves…”, onde os rendimentos auferiam 80 libras, o dobro de Santa Maria. Desta forma, observamos que não só as duas principais igrejas da vila já existiriam no primeiro quartel do século XIV, como também que a paróquia de São Pedro seria relativamente superior a Santa Maria.

    Em 1524, D. João III declara o carácter definitivo do Padroado Real destas duas igrejas.

    A Corografia Portuguesa do padre António Carvalho da Costa refere que, em 1708, a paróquia de São Pedro tinha 260 vizinhos (entre 1300 a 1500 habitantes), e que esta era ainda Padroado Real e era Comenda de Cristo.

    Ao longo do século XVIII, a importância de São Pedro é repartida com Santa Maria, sendo que entre elas se alternava a organização da Procissão Real do Corpus Christi. Ainda que eclesiasticamente, Santa Maria apresentasse uma ligeira supremacia, cabia ao pároco de São Pedro o privilégio de celebrar as festividades de Santa Isabel e Vésperas, na Igreja da Misericórdia.

    Nas Memórias Paroquiais de 1758, a igreja de São Pedro é descrita com “cinco altares, o maior é do Santíssimo, os colaterais, um é do senhor Jesus e outro da Senhora da Graça, os outros dois Almas e santo António”, e tinha “anexas sete capelas, todas fora da vila: S. Amaro, S. Domingos, S. Sebastião, S. André, S. António d’Alem Rio e S. António da Argenteira que dista da vila légua e meia, e a capela da Senhora dos Verdes”. O pároco-vigário, Manuel Bareas de Moreira, pagava de renda, de Apresentação Real, “quarenta e dois mil réis, quatro digo oito almudes de vinho e oito alqueires de trigo”.

    Atestando a antiguidade do templo, é de salientar a planta cruciforme, característica das igrejas dos séculos XIV e XV, e ainda a imagem de São Pedro que se encontra no nicho superior da fachada principal, esculpido em pedra de Ançã, e que se crê ser um exemplar dos mesmos séculos, quando o uso da pedra de Ançã se tornou comum.

    Desde a sua criação, esta igreja manteve a sua traça primitiva quase inalterada, pois ao contrário do que aconteceu com a igreja de Santa Maria, esta não foi demolida mas apenas ajustada por remodelações.

    O último grande restauro teve início em 1910 por iniciativa do padre José Augusto Frade, que procedeu a arranjos no corpo da igreja e ao restauro de alguns altares, incluindo o da Senhora da Graça, que terá sido dourado, através de donativos de emigrantes manteiguenses no Brasil, segundo informação oral.

    Em 1942, o padre José Bailão Pinheiro decide dar continuidade aos trabalhos de restauro, iniciados pelo seu predecessor, até porque a igreja tinha sofrido graves danos nos ciclones que ocorreram no início da década de 40. A igreja estava de tal forma destruída que o Governo Civil da Guarda, em ofício de 15 de Janeiro de 1944, adverte para o risco de desabamento do telhado e informa que “é dever do Governo Civil não permitir que o citado templo continue, sob qualquer pretexto, aberto ao público”. Por conseguinte, procede-se a uma reparação do mesmo, mais cuidada, uma vez que a anterior intervenção se tinha revelado insuficiente, executando-se a “reconstrução e reparação completa, incluindo caibramento, guarda-pó e telha, tudo completamente novo.” Na mesma altura, procede-se também à reconstrução da fachada principal. Desta forma, a torre sineira que se encontrava ligeiramente recuada, com escadas e balcão de acesso, foi derrubada e construída a atual, dando um ar mais uniformizado à frontaria. A igreja é inaugurada em 1945.

    O interior mostra uma igreja de nave única, a planta em cruz latina não é acentuada, pelo que o transepto (parte formada pelos braços da cruz) é pouco saliente. Exibe 7 altares: o principal ocupa quase toda a parede posterior da capela-mor, de dimensões muito inferiores em relação à nave; dois laterais, em cada lado do arco de divisão da capela-mor; dois altares barrocos que ocupam os braços do transeto, criando duas capelas laterais; e mais dois altares do lado direito: um ao centro, em frente ao púlpito do lado esquerdo, e o outro sob o coro alto. À exceção dos altares do transepto, claramente barrocos, todos os outros datam dos restauros da primeira metade do século XX.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 17-07-2014

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Catálogo de Todas as Igrejas, Comendas e Mosteiros que havia nos Reinos de Portugal e Algarves, pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas nos ano de 1746, Fortunato de Almeida, in História da Igreja em Portugal, vol. IV, Porto/Lisboa, Livraria Civilização Editora, 1979, pp. 90-144.

    Entre Zêzere e Tejo – Propriedade e Povoamento (séculos XII – XIV), Maria da Graça Antunes Silvestre Vicente; volume II, Tese de Doutoramento em História Medieval, Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2013

    Notas sobre a Origem de Manteigas, José David Lucas Batista, Palestra proferida na Câmara Municipal de Manteigas em 4 de Março de 1980

    Padre António Tarrinha, Pastor Atento e Dedicado, Evocação nos 100 anos do seu nascimento, Ediçã0 Económico da Paróquia de S. Pedro, Manteigas, 2012

    Padre José Bailão Pinheiro, Pastor Exemplar, Evocação nos 50 anos do seu falecimento, Edição Comissão Fabriqueira de S. Pedro, Manteigas, 2002

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Guia do Apreciador de Pintura – “Histórias e personagens que inspiraram as obras-primas da pintura ocidental” – Marcus Lodwick, Editorial Estampa, 2003

     

    Fontes

    Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho da Costa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

    Chancelaria de João I (1385-1410), vol. III, t. 1, n.º 273, p.176.

     

    Websites Consultados

    http://www.cm-manteigas.pt/turismo/patrimonio1/Paginas/mapa.aspx

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