Igreja Matriz de Santa Maria

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADO e IgrejasMuseu Virtual Tags: igreja, património edificado, religião e santa maria

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  • Igreja Matriz de Sta. Maria

     

    Em meados do século XIV, foi criada a paróquia de Santa Maria, e primordialmente esta ocupou uma pequena igreja, consagrada a São João Baptista no centro da vila, onde hoje se encontra a Igreja da Misericórdia.

    Atestando a antiguidade desta igreja,  o primeiro documento a referir claramente a Igreja de Santa Maria data de 1388, e trata-se de um recibo “do prior de Santa Maria de Manteigas”, como tendo entregue 150 libras.

    Um pergaminho de 1391 relata como “dos bens do concelho de Manteigas foram pagas setenta libras ao sineiro Gonçalo Martins, pelo sino novo que fizera para a Igreja de Santa Maria”. Como o trabalho não tinha sido pago, o sineiro iniciou uma contenda contra o procurador que tinha efetuado a encomenda, Afonso Giraldes, contenda que foi julgada nas autoridades locais a favor de Gonçalo Martins, devendo este receber o pagamento no prazo de 9 dias.

    Fortunato de Almeida vai mais longe e na sua obra História da Igreja, no capítulo com o título “Catálogo de todas as Igrejas, Comendas e Mosteiros que havia nos Reinos de Portugal e Algarve, pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas no ano de 1746″ refere que em 1321 a Igreja de Santa Maria de Manteigas rendia 40 libras.

    A partir, de 1333 a Igreja de São João Baptista começa a desaparecer dos registos, e a última referência surge num documento de 1336, pressupondo-se assim que de facto a Paróquia de Santa Maria já estaria formada, tendo-se estabelecido nesta pequena igreja até se construir uma nova no local onde hoje se encontra.

    Desta forma, é comumente aceite que a criação da paróquia de  Santa Maria, e subsequente construção da igreja, se encontre entre estas datas, 1336 e 1388.

    Apesar de sempre ter pertencido ao Padroado Real, em 1524, o rei D. João III concedeu-lhe carácter definitivo, pertencendo também à Comenda de Cristo.

    Em 1708, e segundo a Corografia do padre António Carvalho da Costa, a Igreja de Santa Maria era ainda vigararia do Padroado Real e Comenda de Cristo, e a sua paróquia contava com 240 vizinhos (entre 1200 e 1400 habitantes, sendo que Manteigas contaria no total cerca de 500 vizinhos, ou seja, entre 2500 e 3000 habitantes).

    Nas Memórias Paroquiais de 1758, caracteriza-se a igreja como tendo 5 altares: o maior, do Santíssimo Sacramento, dois colaterais, das Almas e de Nossa Senhora da Conceição, e os outros dois são duas capelas de uso particular, de São Miguel e da Senhora da Apresentação. Tinha à data, 5 capelas anexas, todas fora da vila: Calvário, S. Marcos, S. Lourenço, S. Gabriel e S. Estevão. E tinha ainda duas Irmandades, do Santíssimo Sacramento e do Calvário. O pároco era vigário de Apresentação Real, arrendado no valor de “quarenta e dois mil reis, quatro digo oito almudes de vinho e oito alqueires de trigo, que pagam os comendadores, a primeira Sua Majestade fez mercê deles e mais pagam ao vigário Reverendo de Santa Maria trinta alqueires de trigo que Sua Majestade foi servida mandar-lhe dar por requerimentos justos que este fez”.

    A primeira igreja terá sofrido obras de remodelação (ampliação) pelo ano de 1616, como atesta a existência de um oratório (capela) com essa data. Este situava-se por de trás do altar do Coração de Jesus, aberto na parede com uma legenda evocativa: “Esta capela mandou fazer Catarina Dias há Vésperas e Missa em todas as sextas 1616”, segundo testemunho de Ferreira da Silva.

    Esta primeira igreja foi demolida, ou pelo menos muito modificada, no século XIX (1864), pois a igreja que antecedia a atual tinha essa data sobre a porta principal e numa pia batismal.

    No século XX, em 1937, foi inaugurada a nova (e atual) igreja, depois da  antiga ter sido demolida, fazendo com que a traça primitiva se perdesse assim como o seu interior.

    A atual igreja apresenta apenas uma nave, lembrando uma igreja salão, a capela-mor é pouco menor que a nave principal. Deste modo de qualquer ponto da igreja todos os presentes podiam ver o que se passava no altar. E os sermões proferidos dali também se podiam ouvir perfeitamente.

    Possui 7 altares, o principal (mor), e 6 dispostos lateralmente na nave e arco. Existem ainda 2 púlpitos. O altar-mor é dedicado a Santa Maria Maior, do lado esquerdo encontram-se 2 altares da Imaculada Conceição e do Sagrado Coração de Jesus, e do lado direito encontram-se os altares da Senhora da Anunciação, das Almas (S. Miguel) e de São Sebastião.

    O estilo interior é claramente de inspiração barroca, com pequenos apontamentos rococó e neoclássicos. Fazendo parte da construção do século XX, não se trata de originais mas de uma tentativa de aproximação ao que seria a igreja antiga.

    O exterior, atualmente, exibe uma fachada com duas torres, sendo que inicialmente existia apenas uma. A do lado esquerdo foi acrescentada posteriormente para criar uma maior simetria. Ambas coroadas por cúpulas bulbosas, com sinos e um relógio em cada uma, em cada canto das torres existe um ornamento em forma de urna. A parte central, com a porta principal encimada por um vitral em forma de cruz, termina numa empena de frontão em quartela, que forma um arco canopial, com uma cruz cimeira.

     

    Estado de conservação 

    Bom à data de 16-07-2014

     

    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985

    Catálogo de Todas as Igrejas, Comendas e Mosteiros que havia nos Reinos de Portugal e Algarves, pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas nos ano de 1746, Fortunato de Almeida, in História da Igreja em Portugal, vol. IV, Porto/Lisboa, Livraria Civilização Editora, 1979, pp. 90-144.

    Entre Zêzere e Tejo – Propriedade e Povoamento (séculos XII – XIV), Maria da Graça Antunes Silvestre Vicente; volume II, Tese de Doutoramento em História Medieval, Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2013

    “Padre Joaquim Dias Parente” – O Homem. A Obra. A Missão. A Mensagem. – Nos 50 anos da sua morte – 20-X-2007 – Manuel Ferreira da Silva, Paróquia de Santa Maria, Manteigas, 2007

    Dicionário Enciclopédico das Freguesias – 3º volume, Editora ANAFRE, 1997

    Guia do Apreciador de Pintura – “Histórias e personagens que inspiraram as obras-primas da pintura ocidental” – Marcus Lodwick, Editorial Estampa, 2003

    Corografia Portuguesa, Padre António Carvalho da Costa, 1708, pág. 351

    Memórias Paroquiais de 1758, reunidas pelo Padre Luís Cardoso

     

    Websites Consultados

    http://www.cm-manteigas.pt/turismo/patrimonio1/Paginas/mapa.aspx

     

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