Moinhos, sua História Rural e Vida Social

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO INDUSTRIAL e MoinhosMuseu Virtual Tags: história, moinhos, património industrial e rural

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    O termo “moinho” deriva do latim molinum, de molo, que significa moer, triturar cereais ou dar à mó. O moinho de água apareceu no século II d. C. com os gregos e os romanos, que depois o espalharam pela Europa. Serviam, como indica a sua etimologia, para moer cereais e transformá-los em farinha. O moinho foi um dos mais importantes instrumentos na economia de subsistência, e num período de fraca circulação monetária, o pagamento pela moagem dos cereais era feito com uma percentagem da farinha obtida, quantidade que normalmente oscilava entre os 5 e 10%.

    Factos Históricos

    Na década de 60, do século XX, existiriam, em Portugal, cerca de 10 000 moinhos em laboração, sendo que, 7000 seriam moinhos de água e 3000 moinhos de vento. O número de moinhos em atividade evidenciava a importância económica que esta estrutura detinha na economia portuguesa desse período, e mais concretamente no mundo rural, pois, nas cidades, desde meados do século XIX, se haviam instalado as grandes fábricas de moagem e superado o papel desempenhado pelos moinhos de água. Historicamente a introdução do moinho de água na Península Ibérica, enquanto inovação tecnológica, deve-se à ocupação romana, todavia a sua difusão e expansão ocorreu durante a Idade Média. No atual território português são diversas as alusões à presença de moinhos na documentação medieval. O moinho era um importante pilar da economia de subsistência.

    Durante o Período Monárquico

    Durante a vigência do sistema monárquico, terá permanecido nas mãos da Coroa ou pertencido aos grandes senhores rurais, estes controlados pela coroa. Além de possuírem a grande maioria das terras, controlavam também outros importantes instrumentos da economia, neste caso os moinhos.

    Moleiro como profissão

    Associada ao moinho está a atividade de moleiro, que podia ser proprietário ou então um trabalhador assalariado que trabalhava para o proprietário do moinho, normalmente um grande proprietário rural. Quando proprietário do moinho, a atividade de moleiro, normalmente desempenhada por homens, acabava por ocupar o restante núcleo familiar, mulher e filhos, nomeadamente nos meses de maior azáfama,  entre os meses de maio e julho, período em que nos campos se procedia à recolha dos cereais. A atividade económica do moleiro era complementada por outras tarefas, pois este conciliava o trabalho no moinho com o cultivo de pequenas parcelas agrícolas junto ao terreno do moinho. Quando os moinhos se localizavam nas margens de grandes cursos de água dedicava-se também à pesca como meio de subsistência. A atividade laboral, num moinho de água, possuía alguns períodos “mortos”, pois, a falta de água, durante o período estival, ou o seu excesso durante o inverno (cheias) podiam levar o moinho a cessar a atividade temporariamente, o que levava muitos moleiros a procurar outro tipo de trabalhos tais como agricultura ou pesca entre outros serviços que estivessem ao dispor das suas capacidades.

     Moinhos e a Vida Social

    Os moinhos eram, também, centros de confluência e de convívio social. Os agricultores transportavam para o moinho em sacas os cereais, fruto do seu árduo trabalho. Estes eram transportados no dorso de burros ou em carros puxados a juntas de bois. E o tempo que esperavam entre a moagem do cereal e a sua transformação em farinha era aproveitado pelos utilizadores dos moinhos para conviverem ou tratarem de outros futuros negócios. À chegada ao moinho, o cereal era conferido pelo moleiro na presença dos fregueses. Inicialmente, eram utilizadas as medidas para verificar as quantidades, posteriormente e gradualmente as medidas foram sendo substituídas pela pesagem dos cereais. Após a contagem procedia-se à retirada do lucro que o moleiro obtinha pela moagem daquela quantidade de cereal. A percentagem de farinha que cabia ao moleiro, pela moagem dos cereais e a mão-de-obra,  destinava-se ao consumo próprio e do seu agregado familiar, sendo que, os excedentes eram vendidos no próprio moinho ou nas povoações vizinhas. Presumivelmente, também os moinhos de água de Manteigas conheceram, outrora, estas vivências que anteriormente foram referidas. Hoje, pretende-se com a recuperação deste espaço, oferecer à população um local aprazível, onde é possível conhecer o funcionamento de um moinho, sensibilizando as populações para a importância que outrora foi um instrumento de base de uma economia rural, onde ainda hoje em dia se encontram vestígios de materiais em estado razoável, outros que apesar de estarem no estado de abandono ou desativados ainda conseguem funcionar.

     

    Bibliografia

    Http://correiodaguarda.blogs.sapo.pt/60173.html

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