Alminhas em Portugal

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO e AlminhasMuseu Virtual Tags: 98, 104 e 105

Info
Info
Mapa de Localização
Itens Relacionados
  • Alminhas em Portugal

     

    As alminhas são padrões de culto aos mortos, hoje consideradas património artístico-religioso. São pequenos altares onde se passa por um momento para deixar uma oração. É frequente encontrar algumas velas e lamparina acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo oferendas de flores. Geralmente, as alminhas são erguidas em encruzilhadas de caminhos, quase sempre em caminhos rurais, em matas ou perto de cursos de água, embora também se possam encontrar alminhas junto às estradas nacionais.

    Portugal é o único país que, na sequência do Concílio de Trento (1545-1563), criou monumentos que são marcas profundas da religião popular.

    O nosso país é o único do mundo que possui no seu património cultural, este tipo de monumento religioso, localizados habitualmente à beira de caminhos rurais e em encruzilhadas. As alminhas, representações populares das almas do purgatório que suplicam rezas e esmolas e que frequentemente surgem em pequenas capelinhas, padrões, nichos independentes ou incrustados em muros ou nos cantos de igrejas,  com painéis de azulejo ou noutras estruturas independentes.

    Mas uma grande parte deste património representativo da religiosidade popular portuguesa está a degradar-se crescentemente, rodeada por silvas, ou alvo de atos de vandalismo avulso,  reflexo direto e generalizado da sociedade atual, do abandono das zonas rurais do país e da indiferença que predomina nas autarquias em relação aos pequenos monumentos saídos da imaginação e da devoção do povo.

    As alminhas também podem ser incrustadas em velhos muros ou na frontaria de casas e podem ser construídas dos mais diversos materiais, mesmo dos mais frágeis como madeira ou vidro.

    Aos diferentes estilos de alminhas dá-se o nome de:

    • Colunas de granito trabalhadas
    • Capelinhas
    • Nichos
    • Estelas

    São fruto de uma época em que se vivia devagar, mas de modo mais intenso e sentido pelos devotos que calcorreavam caminhos rurais de pé posto, junto aos quais se construiriam ou criavam de raiz muitas alminhas,  se dedicava tempo aos antepassados com o temor reverencial de que a morte seria comungada por todos os vivos.

    As representações mais habituais até agora vistas são anjos, santos, Cristo crucificado, a Virgem Maria e o Espírito Santo na forma de pomba, mas nunca se encontra uma criança, sendo esta vista como inocente e sem pecados.

    “As crianças vão directas para o céu, são símbolos de pureza e por isso não têm nada para limpar no Purgatório.
    Ao invés, são frequentes nas alminhas as figuras coroadas, bispos, frades, famílias mais poderosas – e, neste sentido, as alminhas são consideradas democráticas, pois  na hora da morte somos todos iguais”, diz o historiador António Matias. Note-se que quando alguém reza, reza para a “elevação” de todas as almas do Purgatório e não apenas para a de algumas que lhes sejam mais próximas ou queridas.

    Bibliografia

    Manuel Fernandes Vicente
    In Público, 02.11.2009
    05.12.10

  • No Records Found

    Sorry, no record were found. Please adjust your search criteria and try again.