Casa das Obras

  • Casa-das-Obras-01Casa-das-Obras-01

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICOMuseu Virtual Tags: património edificado e século XVIII

Info
Info
Fotografias
Mapa de Localização
Itens Relacionados
  • Casa das Obras

    A Casa das Obras destaca-se entre o casario de Manteigas, pois trata-se do único exemplar de arquitetura de tipo solarengo construído na vila. Começou a ser construída na segunda metade do século XVIII, por João Teodoro Saraiva Fragoso de Vasconcelos Cardoso, desembargador da Relação do Porto e Capitão-Mor de Manteigas, e sua mulher, Ana Gertrudes Portugal da Silveira Valis de Verona. O seu nome, tão peculiar, dever-se-á à duração das obras da sua construção, que tendo sido iniciadas em 1770 duraram até ao primeiro quartel do século XIX (cerca de 1825).
    Existe um registo lançado no livro de impostos do ano de 1763, no Arquivo Municipal de Manteigas referindo a “casa de Fernando José Saraiva sua em que vive vale 4.000 reis paga 360 reis”. Na margem esquerda foi acrescentado “de seus herdeiros” e na margem direita lê-se que “foi demolida”. Este Fernando José Saraiva era Capitão-Mor de Manteigas, e aqui morreu em 1770. Por esta altura, João Teodoro Saraiva, seu filho, deverá ter decidido reconstruir a casa de seu pai que tinha sido demolida.
    A zona urbanística onde se insere terá sofrido poucas alterações a nível do traçado antigo, mantendo-se a horta e o jardim da casa no lado mais a norte, do outro lado da Rua das Obras. A norte e poente do edifício encontram-se algumas habitações que virão do século XVI, sendo que o exemplar mais significativo destas casas se situa na rua mais a sul.
    A Casa das Obras apresenta um desenvolvimento horizontal de dois pisos, dando particular importância à fachada principal, virada a nascente. Desta destaca-se o conjunto central, com a porta de entrada de cantaria em granito, de arco abatido, encimada por um balcão trabalhado em ferro, sustentado por duas peanhas de pedra, bem trabalhadas. A porta que dá para o balcão mostra um acabamento mais rico, com um arco rebaixado, mas composto por diversas voltas que estendem a sua altura. Todo este conjunto é rematado pelo Brasão de Armas, que erguendo-se acima da linha do telhado, forma um frontão segmentar. De cada lado existem três vãos de janelas de peito em cada piso, com caixilharia dupla. Apesar de apresentarem a mesma dimensão em ambos os andares, a moldura das janelas é ligeiramente diferente no andar nobre mostrando um trabalho mais cuidado nas cantarias, com o arco mais saliente e pequenos relevos laterais.
    Na fachada a norte, os vãos de janela revelam o mesmo tratamento das cantarias dos vãos, idêntico aos do rés-do-chão da fachada principal, sendo mais pequenas ao nível do rés-do-chão. É de salientar ainda a interessante chaminé da cozinha, de grandes dimensões e decorada com um friso em toda a volta, coroada por um pequeno catavento.
    Destaque ainda no exterior, também em cantaria de granito, para os cunhais, a cornija e o soco, em volta de todo o edifício.
    No lado poente, encontram-se aqueles que devem ser os elementos mais antigos, designadamente duas portas com cantarias, possivelmente do século XVI, que fariam parte de outra estrutura, mais tarde integrada na casa. No lado sul, encontra-se um estreito caneiro, para onde estão voltadas janelas de pequenas dimensões.
    O interior revela-se sóbrio, com divisões amplas. Logo à entrada o vestíbulo dá acesso ao interior da habitação, com uma porta de cada lado do grande arco abatido, e a um portal em ferro que abre para os dois lances de escadaria para o piso superior. A destacar o corrimão do segundo lance das escadas, um trabalho bem executado sobre pedra. No primeiro andar, é importante referir o átrio central e ainda a sala principal que fica sobre a entrada. Estas características podem denunciar a intervenção de um arquiteto ou de um construtor experiente, e de bom gosto.
    Deve-se também salientar a decoração existente, com diversas peças de mobiliário de qualidade, e principalmente os 7 quadros a óleo dos séculos XVIII e XIX, representando figuras eminentes da família, e ainda o pormenor de alguns tetos que mantêm a pintura original e que evidenciam a importância do solar, conferindo-lhe um ar mais nobre.
    Ao longo de mais de dois séculos de história, foram-se criando afinidades e mesmo laços familiares entre os membros da “Casa das Obras” e os da “Quinta dos Siqueiros” (mais tarde Quinta de S. Fernando). Durante largos anos eram mulheres, as proprietárias dos dois solares, conjuntos, ficando conhecidas como as respeitáveis “Senhoras da Quinta”. Através de sucessivas heranças, culminando na morte de seu sobrinho António Madeira Ribeiro de Portugal, todos os bens solarengos da família Ribeiro de Portugal da Silveira, se tornaram pertença da família Patrício Proença Madeira Ribeiro de Portugal, a quem ainda hoje pertencem, mas somente a Casa das Obras, pois a Quinta de S. Fernando foi alienada ainda antes da década de 80 do século passado.
    Em 1979, o IGESPAR deu início ao processo de classificação do Solar da Casa das Obras, tendo sido concluído em 26 de Fevereiro de 1982 e declarado então “Imóvel de Interesse Público”.
    Segundo a orientação do arquiteto António Ribeiro Patrício Proença Madeira de Portugal (1924-2001), um dos senhores da Casa das Obras, procedeu-se ao restauro do edifício. Este projetou e acompanhou em todos os detalhes as obras de restauração, com especial devoção, o que se refletiu em todos os recantos do solar, e com arte, deu uma nova vida à casa e converteu-a em Turismo de Habitação.

    Estado de conservação

    Bom à data de 22-10-2014
    Bibliografia

    Antologia I – Depoimentos Histórico – Etnográficos sobre Manteigas e Sameiro, José Lucas Baptista Duarte, Edição da Câmara Municipal de Manteigas, 1985
    Websites consultados

    http://www.cm-manteigas.pt/turismo/patrimonio1/Paginas/default.aspx

    http://www.casadasobras.pt/

    http://jfsmaria.pt/Album-de-fotos.php?pageType=folder&currDir=./Manteigas

    http://www.getjealous.com/kateandwarwick/photo/7954214/manteigas-casa-des-obras-winter-lounge.html

  • No Records Found

    Sorry, no record were found. Please adjust your search criteria and try again.