Serviços Florestais no Concelho de Manteigas

Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO EDIFICADOMuseu Virtual Tags: manteigas e serviços florestais

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  • Serviço Florestais no Concelho de Manteigas

     

    Manteigas foi durante os finais do século XIX, a par do Gerês, um local piloto para implementação de várias políticas florestais à data inovadoras. Em 1888 foram cedidos aos Serviços florestais os baldios de São Pedro e Santa Maria, sendo que o baldio de Sameiro foi cedido em data posterior. O principal objetivo dos serviços Florestais no que se refere aos baldios foi revestir as encostas com coberto arbóreo, de modo a evitar a erosão das encostas principalmente em redor da vila de Manteigas.
    Um ponto positivo foi a criação de vários postos de trabalho em ações de reflorestação empregando uma grande parte da população que de outra maneira não conseguiria ter trabalho assegurado. Um dos pontos negativos foi que grande parte da mão-de-obra teria abandonado a agricultura e pastorícia. Em 1888 registavam-se cerca de 200 pastores e em 1974 eram apenas 20.
    A utilização das encostas para a florestação também causou grande polémica junto da comunidade de pastores, pois estes viam desaparecer uma das suas bases de sustento, tendo- se até registado alguns conflitos nas fases iniciais do projeto. Apesar de 1888 se ter assegurado em ata datada de 13 de Outubro do mesmo ano a manutenção das regalias às gentes de Manteigas tal facto não se verificou, tendo-se tornado a cedência numa “apropriação” dos terrenos por parte das entidades do Estado.
    O Trabalho dos Serviços Florestais não só se resumiu à arborização das encostas, foram construídos em vários pontos estratégicos da Serra da Estrela locais de apoio às políticas a implementar, como as casas para os Guardas Florestais e suas famílias, as casas possuíam várias estruturas de apoio para a sobrevivência da Família, como o Forno e Galinheiro e infraestruturas para o apoio às atividades desenvolvidas pelo guarda como tanques de água que funcionavam como reservatórios. Foram criados vários Viveiros de várias espécies Arbóreas que se destinavam à reflorestação do seu respetivo Cantão.
    Durante décadas, os Guardas-Florestais, atualmente incluídos na GNR, habitavam juntamente com as suas famílias, desenvolviam Plantações e quando necessário contratavam pessoal para vários trabalhos como manutenção de caminhos e criação de asseiros, estes também monitorizavam a Caça, a Pesca e todas a outras atividades que ocorressem na floresta.
    O ordenamento das Florestas era feito ao pormenor com um nível de proximidade que atualmente não existe, apesar de todas estas políticas por vezes as populações viam-se impedidas de utilizarem os recursos mais primários que as florestas produziam e seriam de extrema importância numa altura de extrema pobreza na região estes fatores faziam-se sentir devido a várias interdições impostas pelo regime da altura.
    A quando da revolução de 1974 os Baldios foram de novo entregues às populações, durante os anos seguintes seguiram-se algumas das politicas de reflorestação até então implementadas, mas no geral a politica de ordenamento florestal veio a perder qualidade e as ações foram-se reduzindo até meados dos anos 90. Nesta altura implementaram-se várias medidas em Portugal com a criação de equipas de Sapadores Florestais que zelam pelo perímetro do seu baldio através de ações de Silvicultura preventiva e de combate aos incêndios. No Geral se compararmos as medidas atuais com as do período áureo dos Serviços Florestais verificamos que atualmente são melhores medidas em termos qualitativos mas menor em termos quantitativos.
    Podemos encontra no Concelho um vasto legado deixado pela presença dos guardas Florestais que atualmente se encontra ao abandono, caso das Casas dos guardas, algumas foram remodeladas por diversas instituições e servem propostos turísticos como o caso do CIVGLAZ e o Solar da Castanha, mas a maioria devido à sua localização remota vão-se degradando com o passar dos anos.
    As políticas de Reflorestação no geral introduziram várias espécies da família dos Pinheiros, como o Pinheiro Bravo, Pseudotsuga e o Pinheiro Silvestre que fazia parte da flora autóctone da Serra da Estrela mas desapareceu acerca de 10 000 anos permanecendo alguns núcleos em Portugal na Serra do Gerês. No geral se atualmente fossem aproveitadas algumas das infraestruturas ainda existentes dos Guardas Florestais e se renovassem algumas políticas de ordenamento florestal da altura em conjugação com as medidas acuais o ordenamento florestal no Concelho de Manteigas seria de maior qualidade dado que estamos numa zona altamente turística e os dividendos a retirar seriam enormes.

    Bibliografia

    Diversália, Escritos próprios e, alguns, alheios.” José David Lucas Batista.” Edição Noticias de Manteigas, ano 2002.”

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