Milhafre (Milvus migrans)

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Museu Virtual Category: PATRIMÓNIO NATURAL, Biologia, Fauna e AvesMuseu Virtual Tags: fauna, milhafre e património natural

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  • Milhafre (Milvus migrans)

     

    Classe: Aves                               Família:  Accipitridae

    Ordem: Falconiformes            Género: Milvus

     

    Identificação O milhafre é uma ave de rapina de médio porte que  possui uma plumagem de cor castanha escura e a cauda bifurcada, característica que permite distinguir esta ave de outras como a águia calçada.

    É uma espécie tanto predadora como necrófaga, alimenta-se de pequenos mamíferos ou peixes. Prefere zonas agrícolas cerealíferas e com o relevo pouco acidentado.  Encontra-se em zonas baixas de vales, principalmente entre março a agosto

    É uma ave monogâmica, nidifica em abril cuidando os dois progenitores das crias. Os principais fatores de risco para a espécie são a destruição de habitat e os seus hábitos necrófagos que fazem com que se alimente de cadáveres envenenados.

    Distribuição Em Portugal distribui-se por quase todo o país, estando no entanto praticamente ausente no Minho, Douro Litoral, Estremadura e da zona sul do Algarve. É particularmente abundante no vale do Baixo Mondego, sendo frequente no vale do Tejo e em algumas áreas do Alentejo. No resto do país a sua densidade é variável, sendo função das disponibilidades de habitat.
    Habitat O milhafre-preto frequenta um leque diverso de habitats, aparecendo principalmente associado a massas de água – grandes rios e albufeiras –, mas também a zonas florestais pouco densas, nomeadamente montados de sobro e de azinho, pinhais dispersos, vales e outros terrenos planos, buscando alimento em culturas agrícolas, restolhos, pousios, pastagens, terrenos lavrados, matos baixos e também nas imediações de zonas humanizadas como povoações, montes, quintas, explorações pecuárias, lixeiras e estradas. Nidifica geralmente em pinhais, montados (não demasiado abertos), matas ripícolas e outros bosquetes e ou linhas de folhosas.

    O milhafre-preto em Portugal instala os ninhos exclusivamente em árvores. Podem nidificar isoladamente ou em pequenos aglomerados, formando colónias geralmente pouco densas. A exceção ocorre no vale do Baixo Mondego, onde existe no parque da cidade (Choupal) uma colónia com mais de 50 casais. Na Beira Alta e em Trás-os-Montes nidifica habitualmente em bosquetes de pinheiro-bravo, enquanto que no Alentejo e Ribatejo os ninhos são mais frequentes em montados, matas ribeirinhas e, nas zonas mais abertas, em eucaliptos. Na Beira Litoral nidifica habitualmente em árvores de grande porte, principalmente eucaliptos e pinheiros bravos, mas também em folhosas maduras.

     

    Espécie muito adaptável e oportunista que busca alimento em áreas abertas e semiabertas e também sobre cursos e planos de água (rios ou albufeiras). Procura alimento em culturas agrícolas, restolhos, pousios, pastagens, terrenos lavrados, matos baixos nas proximidades de zonas humanizadas como povoações, montes, quintas, explorações pecuárias, aterros sanitários e estradas, onde recolhe cadáveres de amimais vitimados por atropelamento. É também frequentador regular de campos de alimentação de aves nerófagas ou de vazadouros de explorações cinegéticas, sendo companhia habitual dos grandes abutres nas regiões raianas.

    Alimentação Alimenta-se principalmente de presas de pequeno porte, como roedores, lagomorfos, aves terrestres e ouriços-cacheiros, especialmente indivíduos jovens, feridos ou doentes e também peixes, répteis, anfíbios e insetos. É também necrófago regular e frequentador habitual de aterros sanitários. Ocasionalmente consome minhocas, moluscos e crustáceos. Por vezes persegue outras aves (incluindo o Gavião (accipiter nisus), o Peneireiro-malhado (falco tinnunculus), a Ógea (falco subbuteo) até estas deixarem cair o alimento, ou no caso das garças (Ardeidae) até estas expelirem a comida; ataca de surpresa os ninhos de garças para lhes ficar com o peixe.
    Reprodução O Milhafre-preto é gregário, na maior parte do tempo, solitário ou colonial durante a reprodução. Espécie monogâmica, que mantém o mesmo par durante várias anos, embora essa ligação seja aparentemente sazonal nas populações migradoras. A época de reprodução inicia-se em Março, sendo as posturas realizadas geralmente em Abril. As crias atingem a independência em finais de Junho e durante o mês de Julho. Ambos os progenitores cuidam e alimentam as crias, geralmente em número de 1 a 3. Crias semi-altríciais e nidícolas. As posturas, geralmente de 2 ou 3 ovos, são incubadas durante 31-32 dias e as crias permanecem no ninho cerca de 50 dias. Encontra-se por vezes a nidificar, em colónias de Cegonha-branca e de garças (ardeidae).
    Estatuto de Conservação Não ameaçado (NT)
    Fatores de Ameaça Os métodos de prospeção de alimento (voo baixo e lento) do Milhafre-preto bem como os seus hábitos alimentares (necrofagia regular), tornam-no uma espécie vulnerável à perseguição, abate direto e envenenamento, sendo estes uns dos fatores de ameaça mais importantes.

    – O abate ilegal constitui um facto de mortalidade desta espécie.

    – O envenenamento de iscos e carcaças para controlo ilegal de predadores das populações de espécies cinegéticas e pecuárias constitui um importante facto de mortalidade não natural.

    – A redução da disponibilidade alimentar devido às novas restrições higieno-sanitárias, que obrigam à recolha ou destruição dos cadáveres provenientes das explorações pecuárias.

    – O abandono do pastoreio extensivo resulta em redução de gado morto e das placentas nos campos.

    – A utilização de agroquímicos e pesticidas intervém direta e indiretamente, aumentando a mortalidade, reduzindo as suas taxas de reprodução e a disponibilidade de presas para a alimentação das crias.

    – A colisão e eletrocussão em linhas de transporte de energia pode ser um fator de mortalidade importante.

    – A instalação de parques eólicos em corredores importantes para a migração e dispersão de aves pode constituir uma importante fator de mortalidade da espécie através da colisão nas pás dos aerogeradores.

    No entanto o desconhecimento sobre esta problemática permite poucas conjeturas sobre o seu efeito na população nacional, que dependerá da tipologia e localização das estruturas. Os traçados elétricos que estão associados aos parques eólicos constituem outro problema importante devido aos subsequentes riscos de colisão e eletrocussão.

    – Os incêndios florestais, por destruírem os biótopos de nidificação em algumas regiões, constituem um fator limitante.

    – A pilhagem dos ninhos, principalmente durante as atividades de descortiçamento e de recolha de pinhas, pode ser localmente relevante.

    Bibliografia
    Websites Consultados

    http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/rn2000/resource/rn-plan-set/aves/mil-migrans

    http://www.avesdeportugal.info/milmig.html

     

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